segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

PENSE ALÉM DOS PRODUTOS

Muito em breve não se comprará mais nenhum produto, mas simplesmente produtos que só têm valor pelos serviços oferecidos. Em muitos segmentos isso já é realidade e muito em breve será em praticamente todo o mercado.

Pense sobre o que aconteceu com o mercado de celulares. Você está comprando o aparelho ou o pacote de serviços? Pense em TV a cabo. Pense em bancos. Pense em computadores. Pense em seguros. Pense em saúde. Você vai reparar que o consumidor está dando muito mais importância para o serviço em torno do que para o produto em si.

Não acredita? Pense na experiência de comprar um novo computador e junto transformar sua casa num ambiente wireless. Você vai a loja e não sabe qual equipamento comprar. Um técnico lhe diz uma coisa e na loja ao lado outra explicação completamente diferente. Você arrisca e leva o roteador. Tenta fazer tudo sozinho (com vergonha do seu filho de 14 anos que faria) e começa o seu inferno.

Aí você para e pensa: porque ficar estressado? É só ligar para uma empresa e chamar um técnico! Ótimo. Que nada! Se você é como eu - um zero a esquerda em tecnologia e convergência - você tem outro dilema pela frente com várias opções e muitas dúvidas:

(a) Você liga para a empresa de telefonia?
(b) Você liga para a sua operadora de internet?
(c) Você liga para a sua operadora de TV a cabo?

Se você é como eu e como a maioria das pessoas, pagaria um pouco mais pelo produto e daria graças a deus para ter tudo instalado e funcionando. Algo como: não me explica, só me diz onde eu assino e quando tudo fica pronto!

Esse é o estresse da maioria das pessoas com os produtos. Um produto que deveria ser fonte de prazer vira fonte de tormento por dias com uma solução mais ou menos. E as pessoas têm pressa e cada vez mais, menos tempo para resolver as coisas. Por isso as empresas de tecnologia falam cada vez mais em criar e integrar soluções e cada vez menos em produtos.

Eu sou radical nisso. Penso que num futuro muito breve tudo vai virar serviço. E as pessoas cada vez mais vão estar dispostas a pagar um pouquinho mais por isso. Pagar por produtos que tragam soluções práticas, rápidas e completas.

A gigante americana do material de construção, a Home Depot – a maior empresa do mundo no setor - conseguiu dobrar de tamanho quando passou a vender produtos e serviços de instalação e reforma combinados. É uma inversão da lógica de valor. Do produto e todo o seu sacrifício em levar e instalar, para uma outra ótica: compre uma solução e leve com ela um produto. É mais software do que hardware.

Lembre que a percepção de custo não está somente no preço, mas nos pontos-de-dor dos clientes. Deslocamento, burocracia, espera, tempo. Tudo isso é sacrifício e sacrifício para o consumidor é custo. Nossa lógica foi construída com a idéia de oferecer sempre mais por menos aos consumidores. Esse sempre foi a grande meta. Só que a lógica pode ser outra num mundo que está se voltando para os serviços e experiências.

Reflita se existem formas de incorporar serviços aos seus produtos. Você já oferece? Pense sobre maneiras de melhorar o serviço que já existe. Pense se não existem formas de reduzir sacrifício na compra. Pense na qualidade das experiências que você oferece na compra, na entrega, na manutenção. Você vai constatar que as pessoas estão dispostas a pagar por redução de sacrifícios nas suas vidas.

E, serviço é pura experiência com a marca. Ou seja, é uma forma de elevar o valor dos produtos na percepção dos clientes, diferenciar-se da concorrência e de gerar valor para a sua marca.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

PENSE EM SUBSTITUIÇÃO

A maioria de nós, quando faz planos estratégicos, geralmente não contempla a idéia de substituição. O normal é concentrar toda a energia em tentar antever o futuro a partir do nosso negócio e, lateralmente, confrontar mercado e concorrência. Ou seja, olhar para dentro, olhar para fora, analisar forças e fraquezas, ameaças e oportunidades, mas nunca dedicar espaço para imaginar um futuro imprevisível - onde entram os substitutos. E é por isso, que boa parte dos planos falha com relação às incertezas do futuro.

Num mundo com uma velocidade assustadora, onde novos produtos fruto de novas tecnologias surgem um atrás do outro, essa ameaça torna-se um ponto crítico no futuro de muitas organizações. E analisar essa - que é uma das cinco forças de Porter - deveria ser uma questão crucial nos planos de marketing.

Mas as coisas, na prática, não são bem assim. É difícil concentrar a alta diretoria nesse ponto por que não é tangível. É chato também. Eu sei. É como ficar tateando num terreno cheio de incertezas e dúvidas numa conversa que geralmente diretores e consultores não gostam de entrar. No final, todo mundo torce que não chegue esta parte e que a gente passe rápido para aquilo que é mais fácil, mais concreto, mais previsível. E é aí que muita gente é pego de surpresa.

Para entender melhor o que eu estou falando pense no seguinte: Imagine que você é o Diretor de Marketing de um cartão de crédito. O que poderia ser uma grande ameaça para o seu negócio? Os concorrentes? Um cartão novo, diferente, com um apelo genial? Um cartão que ofereça novos serviços conjuntamente? Um virada completa no crédito que ameaça seriamente a rentabilidade? Uma lei que restrinja e que afete gravemente o setor? Uma agressiva campanha da concorrência sobre os seus clientes?

Sim, você diria. E eu concordo. Todas elas podem ser grandes ameaças para o negócio quando se pensa em incertezas críticas e variáveis incontroláveis. Mas ainda assim, não se trata de substituição. Substituição é o seguinte: o fim dos plásticos (cartões) com transações comerciais feitas pelo celular. O que já existe de fato! E que pode mudar completamente o perfil do setor em pouco tempo. Isso é substituição.

Uma nova tecnologia, um novo jeito de fazer as coisas. Novas formas de utilização, novos padrões, novos comportamentos, nova legislação. Tudo isso pode ter um impacto enorme e substituir o valor do produto ou do serviço que você oferece neste momento ao mercado.

Se você não pensa em substitutos deveria urgentemente começar a pensar. O seu negócio pode estar sendo impactado, neste momento, por alguma coisa nova que pode lhe tirar completamente o valor.

Você já se perguntou sobre isso? Então é melhor começar a pensar urgente, antes que seja tarde.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

INOVAÇÃO 02 - PROCURE NOS EXTREMOS

Inovação nunca está no centro dos acontecimentos. Inovação está na periferia entre o aceito e o não aceito. Entre aquilo que conhecemos, que temos consciência e aquilo que ainda não conhecemos. O centro dos acontecimentos (a parte mais alta e larga do gráfico em forma de sino gaussiano) concentra tudo aquilo que já incorporamos ao nosso cotidiano: a moda, os padrões, os comportamentos “normais” e, consequentemente - a medianidade. E se já incorporamos, não serve mais. Não é inovação e não vai gerar valor.

Mas estranhamente a maioria de nós vive com as mesmas perguntas e procurando respostas onde todo mundo está fazendo a mesma coisa o que nos leva sempre às mesmas saídas. E com isso, ficamos sempre cada vez mais iguais e com menos valor. Ou seja, tentamos, tentamos e voltamos para o Mediocristão!

Por isso esqueça. O centro da sociedade - e do seu negócio - nunca vai ter alguma pista sobre inovação. Se você se concentra no aceito, no normal e, principalmente no que o seu segmento está fazendo, você nunca vai inovar. Pelo contrário você será sempre um retardatário no mercado. E os consumidores são implacáveis com retardatários. O consumidor quer o diferente, o novo o surpreendente, o não imaginado ainda. E é isso que tem valor.

Quando você olha para os seus concorrentes você está olhando para o passado. Quando você analisa os números do segmento você está olhando para o passado. Quando você pesquisa somente os seus clientes você também está olhando para o passado. Por quê? Porque você analisa as coisas pela perspectiva do que já aconteceu. Se você sabe o que seus concorrentes fizeram é porque eles pensaram isso antes e realizaram antes de você. Se você só olha os números do segmento (os seus e os deles) é porque eles são já são o "realizado". Se você só procura entender os seus consumidores você olha as coisas pela perspectiva do ontem, do já comprado, mas não na do de amanhã. E amanhã? E no futuro?

Não acredita. Então pense no antigo fax e reflita sobre o que ele já significou em nossas vidas e se algum consumidor algum dia em alguma pesquisa disse que queria um aparalho desses? Quem pediu para inventar o I-phone? Quem pediu uma cafeteria diferente como a Starbucks?

Quando você pára de olhar somente para o seu negócio você abre uma nova perspectiva. Se você procurar nos extremos, vai constatar que na periferia estão os grandes insights. O território das Big Ideas que podem transformar o seu negócio.

É lá na periferia – no borderline social, entre o aceito e o não aceito pela sociedade que estão os loucos e os geniais que vão pautar o que a sociedade vai consumir logo logo. É lá que está sendo construído o comportamento que será trazido - em breve - para o centro da sociedade. É lá que existem novidades, novas necessidades, novos maneirismos e modismos que poderão tornar-se oportunidades inovadoras para a grande massa.

Se você abandonar a visão concêntrica pura e passar a observar também o borderline do seu negócio você cresce. Você ganha uma nova dimensão. Isso significa olhar para o seu segmento, mas conseguir também olhar para as bordas (os limites do seu negócios com outros segmentos) você passa a ver tudo com uma nova perspectiva.

Nessa periferia você pode descobrir outras práticas, você pode perceber a existência de novos canais. Você pode encontrar novas formas de criação de valor compartilhadas. E o mais importante, você torna-se aberto para entender que os seus problemas talvez possam ser solucionados por outras perguntas e não as mesmas que você sempre fez.

Esse é o valor do olhar sobre o borderline do seu segmento. Um território de muitas incertezas, mas rico em novas perguntas, novos questionamentos que podem ser chave para uma nova compreensão da sociedade e quem sabe - encontrar oportunidades que sejam inovação para o seu negócio. É lá no borderline do seu segmento que você pode encontrar algo revolucionário que pode desequilibrar toda a lógica do segmento - e gerar inovação de valor.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

INOVAÇÃO 01 - BUSQUE UM NOVO ÂNGULO DE VISÃO

Um dos grandes problemas em não conseguir inovar é estar completamente fixado no seu próprio negócio e conseqüentemente no seu próprio umbigo!

Tecnicamente em cenários chamamos isso de visão focal. Acabamos olhando sempre as mesmas coisas como se fosse uma visão de túnel. Com essa visão concentrada o que acontece é que você acaba enxergando somente aquilo que seus competidores também estão vendo e fazendo. Você acha certo e faz o mesmo. Assim, todo mundo fica cada vez mais igual e com menos valor. E a competição cada vez mais acirrada pela absoluta igualdade de condições e de valor.

Por que isso acontece?

Muito de nós passamos a maior parte de nossas vidas atuando num segmento de negócio e é natural que tudo aquilo que diga respeito ao setor nos chame mais atenção. Assim, acabamos criando uma espécie de filtro direcionado sempre para as mesmas coisas. Nossa fonte de informação acaba sendo as fontes óbvias do setor. Procuramos nos relacionar com gente que conhece o setor. Nossas amizades acabam sendo as mesmas que atuam no campo profissional. Sabemos o que todo mundo do setor está discutindo e pensando. E isso nos leva a tomar decisões muito parecidas com as de nossos concorrentes. Ou seja, convivemos, olhamos, pensamos e agimos todos na mesma direção e nos fechamos para olhares e sugestões vindas de outros ambientes. E isso passa a ser a grande venda nos olhos na busca de inovação.

Não acredita?

Converse com um presidente de uma construtora. Converse com o gestor de uma grande companhia farmacêutica. Converse com um dono de agência de propaganda. Converse com diretor de uma rede de varejo. Converse com um líder industrial. A conversa gira, gira e nunca sai do ambiente seguro do segmento em que atuam. Tente sair e veja a reação. Nada. Não rende mais. Acabou o papo. Encerrou qualquer horizonte de novas visões e de qualquer possibilidade de confronto.

Pior ainda.

Nos negamos a discutir e ponderar qualquer comentário que ofereça um novo ângulo, um novo viés sobre nossos negócios. Porque é claro, temos certeza absoluta e respostas para tudo sobre o nosso setor. Afinal, vivemos disso. Respiramos isso diariamente. Estamos impregnados de uma certeza que não nos permite aceitar qualquer objeção que venha de alguém que não esteja comungando de nossa visão. E cá entre nós, como é chato alguém de fora (que não entende nada do nosso negócio) fazer considerações sobre nosso mercado e - estar certo!

O que é preciso fazer?

Para inovar é preciso buscar um novo ângulo de visão que mesmo concentrado na movimentação do setor, permita um olhar lateral. Isso significa olhar para frente sem deixar de estar atento ao que acontece ao redor, nas bordas, no limite entre a imagem com foco e a a movimentação desfocada nas laterais. Inspirado no construtor de cenários Peter Schwartz, passei a chamar esse exercício de "visão do cavalo". Um olhar para frente (focal), mas atento ao campo lateral (periférico).

Por que é difícil observar ao redor?

Tudo que é periférico em nossa visão não é muito lógico, claro e detalhado. É isso que incomoda. As imagens são fragmentadas, cheias de zonas de sombras e sem detalhes nítidos. E é por isso que acabamos desprezando esse campo lateral de visão. Na prática, sabemos que algo se movimenta na periferia do ohar, mas nosso cérebro despreza essas imagens e concentra a atenção no centro, onde tudo é nítido, lógico, claro e mais fácil de compreender. Faça esse exercício com olhar e constate a dificuldade. É incômodo.

Na prática.

Tanto nos negócios como na vida profissional a sensação é a mesma. Atentar para os lados, olhar outros segmentos, outros profissionais, outras práticas torna-se incômodo porque as coisas não possuem a nitidiz daquilo que sabemos muito e estamos envolvidos no dia-a-dia. E assim, desprezamos potenciais fontes de novos conceitos, novas práticas e de confrontos com nossos paradigmas que poderiam estar gerando inovação para o nosso negócio.

Inovação requer alguma dose de sacrifício.

Para inovar você precisa estar aberto para novos olhares. Aberto para um confronto com o que não parece ser muito lógico. (Isso significa sacrifício para a maioria de nós). Aberto para discutir seus sagrados cânones do segmento. Questionar tudo aquilo de sagrado que você sabia até então (mais sacrifício). Aberto para novos paradigmas. Aberto para confrontar, analisar e encarar novos ângulos de visão - diferentes do seu (mais dramático ainda).

Inovação requer sair do lugar seguro.

Muitas das respostas que você procura obcecadamente no segmento e não acha (que podem estar matando o seu negócio) podem estar lá fora, no que não faz muito sentido hoje para você. Talvez no que não seja muito racional. No que não seja muito normal - ainda. E certamente no que não é muito óbvio nem para você, nem para as práticas consagradas do segmento.

Porque vamos combinar uma coisa: se essa resposta fosse óbvia, normal e encontrada em lugares seguros, não seria inovação.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

GRATIFICAÇÃO E ESTRANHEZA.

Ontem à noite realizei uma palestra sobre Marketing Pessoal e Personal Branding para o pessoal da Imobiliária Crédito Real.

Encontrei uma empresa nota dez e uma platéia motivada, que me pareceu acostumada à saudável rotina de receber novas informações e ávida por novos conceitos. Senti um ambiente propício e uma energia muito boa para um confronto de idéias através de um debate. Infelizmente não tivemos esse tempo final - dia de semana, com gente que trabalhou todo dia, faculdade para muitos e, o tempo estourado (que não consegui evitar). Eu gostei muito e espero que eles também tenham gostado.

Mas essa palestra sempre me causa uma dupla sensação: gratificação e estranheza.

Essa é uma experiência que tem se repetido frequentemente na minha vida de palestrante sobre marcas pessoais - são os impactos causados na plateia e, confesso a vocês, também no palestrante. Falar sobre planejar marcas pessoais (a minha marca e a de vocês) causa sempre estranheza e incômodo. Não tem como evitar.

Eu explico. Eu acredito que esse tema é quente, é polêmico, é importante, é decisivo nas nossas vidas, é crucial nas nossas carreiras. E que forma-se um paradoxo: o tema é vital (todo mundo concorda), mas não gostamos muito de pensar sobre isso porque é incomôdo!

Por que isso?

Porque somos obrigados a fazer um breve mergulho sobre nós mesmos e passar por feridas abertas, sonhos desencaminhados, problemas sabidos mas não resolvidos, degraus a frente, barreiras, fragilidades. Porque somos obrigados a nos comparar uns com os outros (isso é terrível). Porque somos obrigados a nos julgar. E, estranhamente porque nos sentimos - todos (palestrante e platéia) um pouco incomodados sobre as reflexões provocadas e o rumo de nossas vidas.

E aqui existe (para todos nós mortais) um cenário cruel que é a velocidade das coisas nas nossas vidas x as urgências - nossas e dos outros x importante para nós e para os outros x opções e decisões difíceis a tomar.

A saída mais fácil e mais cômoda é não pensar sobre isso e viver a vida e, "deixar a vida me levar". Isso cansa, mas não dói. A gente leva como dá. Porque o enfrentamento sempre causa alguma dor. E somos treinados desde crianças a evitar a dor. Assim, a gente prossegue e não pensa muito sobre isso até que alguém cutuca. Ou quando a dor é gerada pela nossa displicência em não tomar uma atitude antes.

Penso que minha missão seja essa com este tema de palestra (personal branding): cutucar os outros e a mim mesmo em cada nova rodada. Porque não tem como evitar a reflexão dolorida quando nos questionamos sobre pontos como esses: quando foi a última vez que me perguntei o que eu quero ser? Para onde estou indo? Quais eram os meus sonhos, mesmo? Por que não estou realizando aquilo que mais gosto de fazer? O que eu estou fazendo para mudar o que me incomoda? Onde eu vou chegar fazendo isso do jeito que estou fazendo? Que legado eu estou construindo? Como sou percebido? Qual é a minha estratégia?

Tarefa difícil. Eu diria, terrível... Mas acredito que é aí que reside o valor - no que ela causa no momento e, certamente no processo gerado por esse incômodo momentâneo, no futuro.

Esse é o meu resultado como palestrante: gratificação e estranheza. E é por isso que eu continuo amando esse tema!

domingo, 10 de agosto de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 10. CONSTRUA ALGUMA COISA PARA SE ORGULHAR NA VIDA.

Minha última lei diz respeito a praticamente tudo o que discutimos até agora. Fazer alguma coisa para se orgulhar no futuro talvez seja a mola propulsora mais influente para qualquer virada na carreira e base para qualquer plano de marca pessoal. Uma grande visão lá na frente. Um grande objetivo capaz de mobilizar todas as nossas forças. Um grande objetivo capaz de nos tirar de nossas zonas de conforto. Uma grande visão aglutinadora de todos os nossos esforços.

Você já imaginou passar toda a vida produtiva sem ter construído nada para se orgulhar na velhice? Não sei como soa isso para você, mas para mim, a idéia de não construir nada diferente me incomoda muito.

Boa parte das pessoas não pensa muito sobre isso. Apenas toca a vida em frente. E, talvez esta seja, em boa parte, a razão das desilusões e de uma vida profissional que se estaciona entre o tédio e a mediocridade, na correria diária do mercado.

Não falo de nada excepcional (apesar de defender que devemos mirar sempre nas estrelas para alcançar as nuvens), mas de coisas que possamos no futuro nos orgulhar. Coisas que nos farão adentrar a velhice com a alma plena (sejam elas pequenas ou grandes)e essencialmente coisas que vão nos orgulhar por tê-las realizado.

Esse é o sentido maior em construir uma marca pessoal. Essa é a essência do gerenciamento de uma marca: um motivo. Um motivo que faz você sair da cama de manhã. Um motivo que faz você encarar obstáculos. Um motivo que lhe move pra frente quando tudo resolve lhe puxar para trás. Um motivo que carrega prazer. Um motivo que revela sonhos. Um motivo grande ou pequeno. Um motivo. Você já tem o seu?

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 09. CRIE UMA DEFESA COMO A DO PORCO-ESPINHO.

Você é um porco-espinho ou uma raposa? Esta é a pergunta que abre o capítulo “O conceito do porco-espinho” no livro “Empresas feitas para vencer” do americano Jim Collins. Ele cita o famoso ensaio O porco-espinho e a raposa de Isaiah Berlin que dividiu a humanidade em porcos-espinhos e raposas inspirado numa antiga parábola grega: “A raposa sabe muitas coisas, mas o porco-espinho sabe uma coisa muito importante”.

Na natureza a raposa é muito astuta, esperta, traiçoeira, capaz de desenvolver muitas estratégias de caça e fica o tempo todo espreitando a toca do porco-espinho esperando o melhor momento para atacar. Quando o porco-espinho sai, a raposa ataca e o porco-espinho se defende transformando-se numa couraça mortal. A raposa tenta, tenta e desiste. Todos os dias há uma nova versão dessa batalha. E o ciclo se repete porque cada um segue seus instintos de sobrevivência.

O interessante aqui é que um animal aparentemente muito astuto como a raposa não consegue dominar um animal aparentemente muito fraco como o porco-espinho. Porque este possui o domínio de uma defesa inatacável. Jim Collins continua com a defesa desse conceito: “as raposas atacam em várias frentes de uma vez, e vêem o mundo em toda a sua complexidade. Elas se espalham ou se dispersam e se movem em muitos níveis. Os porcos-espinho, por sua vez, simplificam um mundo complexo e o transformam numa única idéia organizadora, um princípio básico ou um conceito que unifica e orienta tudo”.

Jim Collins propõe esta lógica para empresas. Empresas realmente excelentes – feitas para vencer - conseguiram esse simplificação poderosa (o conceito do porco-espinho) baseadas na intersecção de três dimensões:

1. A atividade na qual você pode ser o melhor do mundo.
2. O que aciona o seu motor econômico.
3. O que lhe desperta paixão.

Você vai reparar que o conceito porco-espinho do Jim Collins cabe ajustadamente também para pessoas e suas marcas pessoais. Eu adaptei estas três dimensões para o universo profissional. Veja o poder da união destas três dimensões:

Faça algo que tenha valor no mercado.

Isso é crucial e você precisará descobrir. Uma habilidade especial, um conhecimento diferenciado, uma forma de fazer, um jeito de atuar. Algo que tenha valor no mercado e que você possa apostar. Algo que você goste de fazer. Algo em que você se concentra e que não vê as horas passarem.

Reveja seu patrimônio de marcas e passe a refletir sobre isso. Veja cada um dos aspectos que você listou na sua coluna de ativos. Aquilo que você faz muito bem. Aquilo que sempre lhe ajudou até aqui. Pense nos seus projetos que deram certo e reflita no que estava por detrás de cada um deles. Talvez ali esteja uma habilidade até então não valorizada ou uma área de conhecimento que você domina muito bem. Pense no que lhe dê prazer, que você faz de melhor e que tenha valor no mercado.

Se você não tem, pense da mesma forma no seu patrimônio de marca e veja se não é possível construir essa posição diferenciada juntando vários aspectos dos seus ativos. Pense na sua especialização. Pense no conjunto de habilidades. Você precisa encontrar isso. Mas reflita bem. Isso precisa ter valor de mercado. De nada adianta concentrar-se numa coisa que você faz muito bem, mas que ninguém vai querer pagar por isso.

Concentre-se em ser o melhor do mundo.

Nada menos que a excelência. Você precisa ser muito bom nisso. Se você já é bom, não se contente com isso, busque mais. Os orientais possuem um ditado que diz assim: “quando você achar que já é muito bom, tente segurar o vento com as mãos”. É assim. Nunca pare de aprender e de buscar mais. Estabeleça metas ousadas quanto a isso. Não se conforme em acreditar que você já sabe o bastante ou que faz muito bem. É preciso mais, É preciso ser o melhor do mundo nisso. É preciso estabelecer o padrão. Ser a referência.

Tenha paixão por isso.

É incrível quando lidamos com alguém que é apaixonado pelo que faz. Os olhos brilham. É sempre muito melhor falar com quem gosta do que faz. É sempre muito melhor fazer negócios com aqueles apaixonados pelo que fazem. Não interessa se é um pintor, um instalador hidráulico ou secretária ou um engenheiro. As pessoas que fazem o que gostam deixam claro isso. Elas nos encantam e nos fazem pagar muito mais para tê-las ao nosso lado.

Ter paixão pelo que faz ajuda você a tirar a pijama na segunda e lhe ajudará a enfrentar uma quarta-feira pesada que parece não terminar nunca. Quem tem paixão pelo que faz suporta melhor a agenda apertada, consegue controlar melhor o estresse, consegue uma vida mais prazerosa, produtiva e feliz.

A adaptação da teoria do porco-espinho de empresas vencedoras para profissionais excelentes propõe juntar estas três dimensões: concentrar-se numa atividade com valor de mercado, buscar a excelência total nesse aspecto – ser o melhor do mundo nessa atividade - e nutrir grande paixão por isso.

Quando você conjuga estas três dimensões você fica imbatível. Quando você encontra a intersecção destes três aspectos você cria a couraça do porco-espinho contra as crises de mercado, contra as oscilações da economia, contra os solavancos da carreira, contra as crises das empresas. Profissionais que conseguem trabalhar suas marcas com estes três aspectos viram estrelas do mercado. São profissionais desejados, disputados onde nunca falta uma nova oportunidade.

Imagine a seguinte analogia proposta por Jim Collins: “suponha que você tivesse condições de construir uma vida profissional que passasse no três testes que se seguem: primeiro, você está fazendo um trabalho para o qual você tem um talento genético ou divino, e talvez você possa se tornar um dos melhores do mundo na aplicação desse talento (...) Segundo, você está sendo bem pago para fazer o que faz (...) Terceiro, você está fazendo um trabalho pelo qual está apaixonado e absolutamente ama fazer, e tem prazer no processo em si. Se você puder caminhar em direção à intersecção desses três círculos e traduzir essa intersecção em um conceito simples e cristalino, que oriente suas escolhas na vida, então você terá um conceito porco-espinho só seu”.

Da mesma forma, a teoria do porco-espinho ajuda você como um filtro na tomada de decisão sobre sua marca pessoal e sua carreira: oferta de um novo emprego, uma possível troca de segmento, um novo negócio, uma sociedade, uma nova posição na empresa. Se você puder juntar as três dimensões, fantástico, você criou o seu conceito porco-espinho.

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 08. JAMAIS SUBESTIME A AUDIÊNCIA.

Quebre as regras, rasgue os manuais, não ande pelos caminhos que já foram trilhados, não repita o que já deu certo (se já fizeram é passado), trabalhe sempre na contra-mão, com prazer, com tesão, crie seus próprios métodos e reinvente as ações. Você pode (e deve) fazer tudo a seu favor. É vida ou morte para a sua marca. Só não subestime a inteligência da sua audiência, porque você vai quebrar a cara! Nunca esqueça que o melhor marketing do mundo não sustenta por muito tempo a venda de um produto ruim.

Você jamais vai conseguir enganar todo mundo durante muito tempo. E se conseguir enganar terá prejuízos sérios, logo ali, adiante. Se não for crível, desista. Você pode projetar mudanças radicais para a sua imagem e movimentos ousados para o futuro, mas sempre construa esse projeto sobre a ética e a verdade, respeitando seus princípios e seus valores.

Jamais aceite que lhe reconstruam como personagem de uma estória que não é a sua. Isso certamente seria um retumbante fracasso. Recuse todas as saídas fáceis. Fuja do charlatanismo e dos gurus da auto-ajuda melosa. Eles vão lhe deixar mole no enfrentamento das suas dificuldades. Cresça com seus fracassos e reconheça suas limitações. Entender isso já é meio caminho andado.

Diferente das marcas corporativas que se prestam a reformulações e alterações constantes de embalagem, você precisa trabalhar com um plano de marca que respeite o núcleo da sua marca (suas origens, seus valores, seus princípios éticos e morais). Respeite a sua genética. Parta sempre do seu DNA de marca. Ele é o grande filtro e o ponto de partida para todos os movimentos da sua carreira rumo ao sucesso.

E não se esqueça: o mercado procura hoje mais do que nunca autenticidade. Isso é vital para uma marca que se deseje perpetuar com valor.

domingo, 3 de agosto de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 07. SINERGIA É VITAL PARA A SUA MARCA.

Em marcas corporativas trabalhamos com a idéia de criar experiências memoráveis com a marca. Neste novo século o marketing é o marketing da experiência. As pessoas não querem mais somente produtos, querem produtos com serviços e as experiências com a marca tornam-se valiosas. É conquistar para sempre ou perder. Essa é a regra. Comprar carro não deve ser um momento tenso e nervoso, deve ser sim uma viagem num mundo de experiências e sensações marcantes que transformem esse momento num momento único.

Defendemos a idéia os produtos se vão, os serviços terminam, mas as experiências perduram para sempre na mente do consumidor. Quem não se lembra do cheirinho de couro e plástico da primeira vez que entrou num carro zero quilômetro. Não importa se foi um carro de luxo ou um carro popular. Pegar a chave e acionar o motor, ouvir o barulho dos pneus no chão lustroso da concessionária e despedir-se do vendedor com um grande sorriso de lado a lado do rosto é um momento inesquecível para alguns.

Ser surpreendido numa loja com um atendimento muito especial, além da conta, inimaginável pode significar estar frente a frente com uma vendedora muito simpática, uma música ao fundo que traz boas lembranças, em meio a uma decoração linda que traduz o espírito da marca que você está comprando, sentindo um aroma agradável e, de repente, lhe oferecerem café numa xícara de porcelana!

O resíduo da experiência não está num desses elementos. Não está somente no café, (mesmo sabendo que o detalhe da xícara torna esse momento diferente de todos os outros cafés - talvez até melhores, mas naqueles copos horríveis de plástico). Não está na decoração isoladamente ou na simpatia da vendedora, está na harmonia do conjunto. Essa harmonia dos sentidos nas ações chamamos de sinestesia da marca. Ela é chave para criar experiências diferenciadas e memoráveis com a marca.

Conforme Bernd Schmitt e Alex Simonson em A Estética do Marketing, “a sinestesia estabelece uma integração de elementos primários, como cores, formas, cheiros e materiais, com sistemas de atributos que expressam um estilo estético de marca ou de empresa. Embora as identidades sejam compostas pelos elementos primários (visão, som, toque, gosto e aroma) uma percepção holística é o resultado”.

Se você pensar na lei da sinergia (todos os elementos se reforçam e multiplicam o valor) e na sinestesia (visão holística para integrar vários sentidos e provocar uma sensação única) e levá-las para o campo das marcas pessoais vai compreender a importância dessa coerência no conjunto a ser construído na mente da sua audiência. Cada ação deve reforçar o conjunto. Cada movimento deve ser coerente com o significado. Essa visão holística deve permear toda a sua marca pessoal. Ela deve estar fundamentada nos seus valores de marca – no seu DNA de marca pessoal e deve ser o filtro para tomada de decisões que envolvam:

A sua imagem pessoal;
A sua forma de se relacionar com as pessoas;
O seu tom de voz;
Os seus maneirismos;
O seu gestual;
A sua maneira de responder e-mails e correspondências;
A forma que você atende no seu escritório;
A maneira como você trata as pessoas;
A sua forma de encarar as pessoas;
A sua forma de se apresentar em público;
A sua postura e o seu caminhar;
O seu estilo pessoal;
Suas roupas e seus acessórios;
Cores que melhor lhe representam;
Tecidos e texturas;
Seu perfume;
Seu corte de cabelo;

Bem como os seus valores de marca pessoal devem determinar o tipo, a qualidade e intensidade de exposição para a sua marca. Eles devem servir de filtro para determinar também:

Lugares ideais para freqüentar;
Tipos de eventos que possuem sinergia com seus valores e com a sua marca;
Pessoas associadas à sua imagem – sua rede de relações;
O visual do seu escritório, da secretária, do telefone celular que você usa;
A decoração e a organização da sua mesa de trabalho;
A pasta que você carrega todos os dias;
O tipo e a aparência do computador sobre a sua mesa;
O jornal e as revistas que você lê e que ficam sobre a sua mesa no escritório;
O visual da sua recepção;
Tipo de companhia área que você costuma viajar;
Marca, modelo e cor de carro que melhor se encaixa na sua proposta;

Quanto mais holística for sua visão neste processo mais adequação e mais sinergia você obterá nas suas experiências de marca pessoal. Lembre-se, não é só o visual que precisa ser harmônico e coerente é o conjunto todo que precisa indicar uma única direção. Você não pode dar sinais contraditórios, sob pena de deixar a sua audiência confusa quanto aos seus valores pessoais e quanto ao significado da sua marca. Não hesite em questionar tudo a sua volta e livrar-se daquilo que não agrega valor para a sua marca.

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 06. ENTENDA A LÓGICA DO SEU MERCADO.

Uma lei vital para a gestão eficaz de sua marca e para alcançar o sucesso na carreira é compreender a lógica que envolve a sua audiência e descobrir quem são os seus públicos. Para marcas corporativas trabalhamos com a idéia de quem não existem só os consumidores finais nesse processo e que existem uma série de outros públicos que estão na cadeia do negócio e que são tão ou mais importantes para serem trabalhados quanto o consumidor final.

Para você entender o que eu estou falando pense num produto que faz parte da vida de todos nós: os calçados. Então pense que você administra uma indústria de calçados femininos. Você cria um bom produto com uma ótima embalagem e vai tentar colocar esse produto nas lojas. Ok? Vamos pegar um exemplo apenas dos públicos da porta da sua indústria para fora.

Bom, o primeiro problema é que você tem o Brasil pela frente e alguns milhares de pontos de venda espalhados nesse imenso território. Você precisa colocar o seu produto nas vitrinas para que os consumidores possam comprá-lo, então você precisa organizar uma equipe de vendas que acredite no seu produto e que esteja disposta a vender aos compradores do varejo de calçados por todo o Brasil. Então você já viu que existe um novo público a ser trabalhado com a sua marca: os seus vendedores. Se eles não acreditarem, nada feito. Então eles precisam comprar os valores da marca, a promessa da marca e entender o que ela significa. E para isso você vai ter que comunicar e se relacionar com esse público intermediário.

Esses representantes da sua marca, confiantes no valor que ela representa terão como objetivo pela frente convencer os compradores do varejo de calçados nas suas visitas de venda. Se os compradores não acreditarem no seu produto, nada feito. Você não terá o seu calçado nas vitrinas das lojas, então eles tornam-se fundamentais nesse processo. Este é o segundo público a ser trabalhado. Você terá de criar materiais promocionais e dedicar-se a entender as necessidades específicas desse público. Você vai precisar compreender o que é importante para esse público.

Se você passar por esse público, ótimo, você estará nas vitrinas das lojas de calçados. Tudo pronto? Ainda não. Se você desconsiderar a força dos gerentes nas lojas de calçados você pode encontrar o seu produto num cantinho escuro da vitrina ou pior lá no fundo da loja, totalmente escondido. O gerente também pode “esquecer” do seu material promocional de loja (que custou uma fortuna) e ele acabar no depósito da loja. Então, o gerente passa a ter uma importância estratégica como público no seu negócio. Você vai precisar encontrar uma maneira de motivar e influenciar os gerentes dos varejos de calados. Temos aqui o terceiro público.

Você precisará ainda motivar um quarto público que são os consumidores dos seus calçados. Eles precisarão saber que a sua marca existe, serem atraídos por ela e ainda saberem onde podem encontrar para comprar. Se eles não forem até a loja, nada feito, e você tem um fracasso nas mãos porque o comprador daquela loja nunca mais vai comprar de você. Então o público consumidor final passa a ser muito importante também. E você tem um quarto público a ser trabalhado.

Você pode estar no melhor lugar da vitrina com uma exposição muito boa e pode ter todo o seu material promocional exposto na loja. Tudo perfeito. O consumidor foi atraído entra nessa loja e descobre que o seu lindo produto está lá (tudo perfeito). O consumidor se interessa, pede para experimentar, gosta (fantástico!) e pergunta a opinião do balconista e, ele não responde nada...só faz uma expressão de...e oferece um outro, que ele diz que tem muito mais qualidade. Toda a sua comunicação desabou nas mãos de uma única pessoa: o balconista. Este é o seu quinto público a ser trabalhado, estratégico nessa cadeia do negócio.

Tudo isso só para lhe mostrar que o seu público pode não ser aquele que você julga que é. Desenhe toda a cadeia do seu negócio numa folha de papel. Pense no mercado como um todo. Monte uma estrutura que permita visualizar a relação lógica entre cada um dos públicos que possam existir entre você e os seus alvos finais. Descubra quem pode especificar a sua marca, quem tem poder de influencia na decisão de compra e quem realmente determina a compra da sua marca. Você precisa descobrir como funciona a lógica de compra do seu mercado para entender onde se encaixa a sua marca e que públicos estão envolvidos nesse processo.

Isso é vital para determinar uma estratégia de venda da sua marca no mercado. Se for um palestrante empresarial, pense no mercado e defina que tipo de empresa poderia ser alvo dos seus serviços. Pense em que ramo de negócios e em que porte de empresa seu tema se adapta melhor. Pense em que áreas o seu tema possui melhor encaixe, onde ele é imprescindível. Departamento de Vendas? Recursos Humanos? Logística? Departamento financeiro?

Pense em como deve funcionar o mecanismo de compra internamente. Quem pode ficar interessado na sua palestra? Quem pode ser seu especificador, dentro da empresa. Aquela pessoa que poderia avalizar o seu trabalho e convencer tecnicamente outras áreas estratégicas. Esse público poderia ser de fora da empresa como no caso das consultorias? Pense finalmente em quem decide. Que formas e mecanismos você dispõe para atingir cada um destes públicos e como deve funcionar a sua comunicação da sua marca pessoal.

Depois de mergulhar profundamente nessa análise, você vai descobrir que mecanismos de comunicação e que tipo de exposição você precisa para chegar nos públicos certos, com a mensagem adequada para cada um deles, onde eles estão. Sem essa análise você pode ter toda a exposição do mundo, pode investir em propaganda convencional, pode ter a melhor imagem pessoal e ainda assim, não atingir seus objetivos.

É essencial que na sua estratégia de marca pessoal você considere os públicos envolvidos e determine as cadeias lógicas do seu negócio. Não importa se você é advogado, médico, cantor, arquiteto, psicólogo ou presidente de uma grande empresa multinacional. Não importa o que você pretende vender ou a posição que deseja alcançar, todo mercado, todo negócio possui sua própria rede lógica de públicos. Se você não fizer essa análise poderá estar concentrando toda a sua energia nos públicos errados. Siga a lei número 06 e conheça a lógica do seu mercado.

terça-feira, 15 de julho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 5. IMAGEM É APENAS UMA PARTE DO PROCESSO.

Não se limite a pensar que imagem pessoal é tudo. Imagem pessoal é parte fundamental do processo na gestão da sua marca, mas não é tudo. Personal branding significa muito mais que imagem pessoal. O seu visual é uma parte estratégica da sua promessa de valor como marca (porque é a parte visível – a aparência), mas ainda assim, não é tudo.

Pense sempre como empresa e você vai entender o que significa essa lei. Nenhum produto no mundo vai vender somente pela embalagem. Você precisa pensar no conjunto todo: no produto você, na embalagem você, no marketing da sua marca, na comunicação da sua marca, no gerenciamento do seu DNA de marca, na sua genética e nos seus valores. Você precisa saber como comunicar sua diferença de valor a sua promessa de valor.

Você precisa saber ainda como chegar lá. Ou seja, estabelecer sua estratégia de marca e um plano com movimentos táticos coerentes com sua estratégia. Para você ter uma idéia clara dessa diferença entre imagem pessoal e personal branding imagine uma caixa de sabão em pó (para ser extremo nesse exemplo) que possui uma embalagem linda, mas só uma embalagem linda. Você acredita que ela vai ser um sucesso de vendas? Pode até ser numa primeira experiência. E, se o produto for bom, poderá ter outras experiências repetidas. Mas pense bem, ele só seria vendido se estivesse no lugar certo, na hora certa, disponível para o público certo, na quantidade certa, num preço compatível.

Muitas empresas e profissionais no mercado trabalham com a terminologia marketing pessoal para definir imagem pessoal. Elas trabalham o seu visual, ajustam isso aos seus gostos pessoais, lhe dão coerência nesse conjunto e certamente podem lhe proporcionar uma aparência elegante e condizente com a sua posição social. Podem lhe ajudar a entender qual o ajuste certo entre o seu biotipo e suas combinações de roupas e acessórios. Tudo perfeito e, você fica lindo. Mas você precisa pensar que chegar lá é muito mais do que ficar elegante. Se for só isso que você deseja, tudo bem.

Agora se você acredita no poder das marcas pessoais e quer chegar lá, você precisa de personal branding. Você precisa gerir sua marca da maneira mais profissional possível, você precisa construir sua diferença de marca além das suas roupas e do seu corte de cabelo. Você precisa impregnar sua audiência com seus valores e impressionar positivamente a sua rede de relações com sua promessa de marca. Você precisa obter visibilidade e notoriedade para a sua marca. Isso envolve todos os sentidos, todos os sinais da marca, envolve o melhor aproveitamento das suas competências e habilidades, envolve o seu conteúdo, o seu posicionamento, o seu preço, os canais que você vai utilizar para vender a sua marca e a qualidade do relacionamento com os seus públicos.

Lembre-se dessa lei. Sua imagem pessoal é muito importante e - estratégica para a sua carreira de sucesso e para a gestão eficiente da sua marca, mas continua sendo uma parte do processo de personal branding. Se você só apostar na imagem sem um plano claro para a explorar sua promessa de marca você vai ser mais um perdido, só com a diferença que você será um perdido elegante! Por isso não esqueça, primeiro o plano estratégico de marca pessoal, depois a imagem.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 04. CONSTRUA UMA HISTÓRIA.

Toda grande marca no mundo corporativo possui uma imagem mítica que a faz diferente de todas as outras e ajuda a estabelecer um vínculo muito mais forte com os seus consumidores. Grandes marcas arregimentam legiões de fãs pelo mundo inteiro que reproduzem essas histórias e ajudam a construir o mito da marca.

Verídicas ou não essas histórias embalam nossos sonhos pessoais, ajudam a colorir a relação que temos com a marca e estabelecem laços mais fortes, além do mero consumo. É como se inconscientemente disséssemos: que história legal, essa história tem muito a ver comigo, com os meus sonhos, com as minhas crenças e aspirações.

Existem exemplos de grandes marcas do mundo corporativo que se tornaram gigantes mundiais a partir de uma crise resolvida, de uma virada espetacular, de uma trajetória diferente, de uma grande jogada de marketing e que se transformaram em marcas fortes porque o fato em si virou emblema mítico daquela trajetória de sucesso.

O sucesso contado numa história acaba contagiando outros consumidores que se identificam, contam e ampliam essa história para outros e acaba virando parte da mitologia da marca. Esse é o efeito de uma história na construção e consolidação dos valores de uma marca forte.

A mítica da marca TAM deve muito a história pessoal de seu fundador, o Comandante Rolim. Quem não se identificaria com a história real de um homem que a partir de um pequeno avião construiu uma companhia disposta a lutar com os gigantes da aviação no Brasil? Quem não ficaria emocionado com essa história de vida?

Essa história sozinha alimenta o mito do guerreiro que está dentro de todos nós. A história do sujeito que lutou com total desproporção de forças, sozinho com único avião, num segmento ultra-competitivo formado por gigantescas companhias e, foi lá e venceu. Quem não se identificaria (consciente ou inconsciente) com essa luta entre o “bem e o mal”, nessa luta entre David e Golias? Quem não ficaria sensível a pelos menos uma experiência com essa marca?

Tem a história sobre o executivo Carlos Ghosn, CEO da Renaut e da Nissan que salvou esta última da morte e a transformou numa marca globalmente respeitada. Esse brasileiro, filho de libaneses está entre os 25 mais influentes CEOs do mundo. E a lenda sobre ele é que seu apelido é “seven/eleven”.

Um apelido que vem do seu hábito obsessivo de entrar às sete horas no escritório e só sair as onze da noite, incluindo muitos finais de semana na mesma rotina. Um apelido que reforça sua imagem e que confessadamente “ele adora”. Já li muito sobre ele, mas sempre me retorna a lembrança do apelido e da história mítica sobre o samurai Carlos Ghosn. Tornou-se pra mim um símbolo e, certamente para muitos a história que define a marca desse executivo.

Histórias sobre o publicitário Nizan Guanaes povoam o imaginário do mercado publicitário e muitas delas passam de boca em boca, de computador em computador. São histórias sobre discursos, atitudes, arroubos que o tornaram uma espécie de mito no mercado publicitário nacional - com gente que ama ou que odeia, mas que não deixa de se referir ao Nizan com um grande respeito por essas histórias.

Some-se aí, as incríveis e fantásticas histórias sobre o genial Assis Chateaubriand, sobre o Sílvio Santos e sua origem como camelô e muitas outras personalidades famosas.

Com certeza muita gente não sabe toda a verdade ou sabe apenas o que ouviu de alguém que leu essa história. Ou sabe por que alguém contou que escutou de um amigo que por sua vez ouviu numa palestra, que nem se lembra onde. O importante é que algumas dessas histórias acabam sendo reproduzidas no boca a boca, são incorporados ao imaginário do mercado, vão ganhando força até tornaram-se parte essencial da marca.

Da mesma forma, nossos ídolos possuem histórias reais e estórias inventadas que se reproduziram (às vezes fora de controle) e que criaram uma aura especial sobre essas marcas pessoais. Dramas de vida, quedas, sucessos fantásticos, histórias pessoais de sofrimento, de violência, de rebeldia, de exemplos de vida tornam-se componentes (verídicos ou não) que reforçam a mítica e o valor da marca.

Mitos são histórias contadas que ajudam a entender e refletir sobre nossas experiências de vida, nossas angústias, nossos sonhos e nossos dramas pessoais. Todos nós precisamos dos mitos. Boa parte dos enigmas da nossa vida estão lá, nessas imagens e nessas histórias. Arquétipos e mitos são comuns na publicidade e ajudam inconscientemente a estreitar nossos laços com elas. A figura do grande pai, o mito do vencedor, o arquétipo do guerreiro, a figura da grande mãe todos eles podem ser encontrados nas páginas de revistas e nos filmes de TV do mundo todo e fazem parte do nosso imaginário coletivo.

Em personal branding é chave para o sucesso criar e alimentar histórias para consolidar a genética e os valores da marca de personalidades e celebridades. É preciso construir e contar uma história de acordo com a sua trajetória de vida, de preferência real, que tenha relevância para a sua audiência, coerente com os valores que estamos trabalhando. De nada adiante você construir uma história que não tenha vínculos com os valores propostos no DNA de marca ou que seja fora do contexto.

Relembre passagens significativas da sua vida, destaque fatos que possam dar brilho e singularidade à imagem a ser construída. Reveja suas vitórias e analise seus grandes fracassos. Trabalhe os fatos e momentos marcantes que reforçam sua trajetória de vida pessoal e profissional. Essa história precisa reforçar seu conceito, seus valores e sua promessa de marca.

Agora, cuidado: se você trabalhar com valores como ética e honestidade na sua marca e contar uma estória mentirosa você corre o sério risco de ser desmascarado e ver todo o seu esforço de marca ir pelo ralo. Dar brilho a alguns fatos e realçar momentos importantes da sua vida não quer dizer fraudar sua história pessoal. Se você fizer isso, estará construindo sua marca sobre terreno pantanoso e não é sobre esse tipo de terreno que se constroem marcas fortes.

Construa sua história com inteligência e extremo bom senso porque é ela quem vai proporcionar emoção e dar alma à sua marca. Não deixe que os outros criem a sua história. Conte você primeiro e depois deixe que ela ganhe vida própria. Só não pense em subestimar a sua audiência.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 03. CULTIVE UM DEFEITO.

As pessoas tendem a não se apaixonar por quem não tem nenhum defeito. Pode parecer estranho, mas é a mais pura verdade. Isso soa certinho demais e cria a aura de “plastificado, construído, industrializado”. Ou seja, ninguém é perfeito e não é normal parecer ser perfeito.

A diferença entre as marcas corporativas e as marcas pessoais reside aí, na possibilidade de construir uma posição diferenciada e com valor a partir de uma série de qualidades e pelo menos um defeito. Não se assuste com essa proposta. Não quero que você cultive um grande defeito, quero apenas que você não concentre todas as suas energias num DNA de marca que não seja crível para ninguém.

Nossa diferença com as marcas corporativas é que conseguimos trabalhar a “capacidade de gostar” da nossa marca pessoal com muito mais intensidade do que as marcas de produtos e serviços. Nossa intensidade nas relações, nosso poder pessoal, nossa atração como pessoas acrescentam componentes altamente subjetivos à nossa marca pessoal e aí que reside o mistério da paixão, da fascinação e da idolatria por algumas celebridades e personalidades com uma legião imensa de adoradores.

Na construção da sua imagem de marca considere isso. Nosso cérebro da mesma forma que rejeita o paradoxo da alta-qualidade/preço popular também rejeita aquilo que não é crível pelo ponto de vista de não ser real. Quando tratamos de marcas pessoais isso é fundamental.

Ao contrário das marcas corporativas onde seria impossível cultivar um aspecto negativo do produto, nas marcas pessoais isso é possível e pode tornar-se um elemento importante na imagem. Um defeito torna a marca mais próxima de todos nós, mais humana, mais real, mais parecida com a gente e aí está o cerne das paixões inexplicáveis que estabelecemos com seres humanos.

Quando avaliamos a imagem da apresentadora Angélica da Rede Globo, em 2002, num projeto experimental, constatamos que o principal entrave dela junto à audiência era justamente o comportamento padrão impecável no vídeo. Ele falava impecavelmente, andava perfeito, postura impecável, vestia-se, falava, ria seguindo um script à risca que a deixava chata. No entanto, na vida privada, às voltas em dramas amorosos com o Maurício Mattar (naquela época) e numa indecisão terrível se continuaria como "menina" ou como mulher, as pessoas enxergavam virtude. Estranho? Sim. Mas estava aí boa parte do problema e boa parte da solução.

Pense bem: é impossível não gostar de crianças naquela fase onde elas caminham de forma desengonçada com as pernas tortas, possuem uma cabeça desproporcional ao corpo, uma barriga volumosa e que pronunciam erradamente todas as palavras. Olhamos para elas e fica impossível não sorrir apaixonado com essas imperfeições. Essa imagem mítica nos remete para a para o útero materno, para a infância de nossas vidas, para quando as coisas eram extremamente simples e éramos muito mais felizes convivendo harmoniosamente com nossos defeitos.

Não deixa de ser um resgate simbólico da nossa vida deixar-se levar pela emoção com nossos filhos e de repente estar sentado no chão da sala, como um idiota, fazendo um monte de coisas sem sentido para ganhar apenas um sorriso daquele desajeitado bebê. É a pureza da imagem imperfeita dos bebês que nos faz vulneráveis a uma paixão enorme por eles.

Os grandes ídolos cultivam manias e alguns comportamentos estranhos que os fazem mais humanos perto de nós (meros mortais) e isso reforça o valor de marca deles. Inconsciente ou não, deixam transparecer alguns defeitos, acabam por nos aproximar (pela fragilidade) e estabelecemos um vínculo mais forte ainda.

Roberto Carlos (o rei) é paixão nacional e ouvir histórias (verídicas ou não) sobre suas manias e superstições o torna muito mais próximo de nós (meros súditos) e passamos a nutrir mais respeito ainda pela pessoa e pelo profissional.

Zeca Pagodinho outro astro do mundo da música é muito conhecido (e amado) pelo folclore que existe nas suas manias e nos seus hábitos pessoais (não necessariamente ligados à música), mas que o deixam extremamente humano, próximo e real com suas virtudes e seus defeitos.

A luta da apresentadora Ana Maria Braga com o câncer (um drama pessoal terrível que ninguém planejaria) sem querer alavancou sua imagem de forma muito forte e a colocou no mundo dos mortais. A admissão da doença em público em rede nacional, a raspagem do cabelo, foram ações complementares (planejadas ou não) para essa "humanização" da estrela e de um reforço significativo nos laços com sua audiência.

Também encontramos exemplos do contrário. A construção do ex-presidente Collor pecou nesse aspecto. A imagem do ex-presidente era construída com reportagens sobre seus esportes, pilotando carros velozes, voando num caça da FAB, lutando artes-marciais, correndo e pedalando como atleta, fazendo esportes radicais. Um presidente super-homem que constatamos não era verdadeiro. Na primeira crise, o super-homem estava exposto. E sem a liga "humana" na imagem que o poderia ajudar junto à audiência.

Lembre-se que a construção da sua marca pessoal deve levar em consideração essa lei. Faça um inventário pessoal das suas manias e dos hábitos e veja aquele que pode dar um colorido folclórico à sua imagem. Na medida exata pode funcionar como um elemento importante na "liga" dos outros atributos de performance.

Vá em frente. Mas use o bem senso.

domingo, 22 de junho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 02. SER TUDO É NÃO SER NADA

Não é crível ser bom em tudo. O nosso cérebro não consegue interpretar e juntar coisas que são antagônicas. Elas não se tornam críveis e as rejeitamos mesmo que isso não passe intencionalmente por um processo racional e lógico.

Você acreditaria numa Ferrari com preço de carro popular? Você perderia tempo em saber mais informações sobre uma oferta dessas? Você diria: isso não é verdade, é uma brincadeira de alguém ou um golpe muito mal articulado. Você viraria rapidamente a folha do jornal de classificados e quinze segundos depois nem se lembraria mais dessa oferta. Seu cérebro nem registraria essa informação. Ela não é crível para nossas crenças e o nosso padrão de consumo no mercado.

Você buscaria maiores informações se tivesse lido um anúncio de jornal que vende um apartamento de 500m2 por preço de quitinete? Essa proposta estapafúrdia levaria você imediatamente a pensar: tem alguma coisa errada aí. É simples assim.

Não se pode vender a promessa de benefícios de alta-performance, alta qualidade e sofisticação com preço de produto popular. Não é lógico. O consumidor tende a pensar de uma forma muito simples: se existe realmente muita qualidade nesse produto ele precisa custar um pouco mais caro que os similares. Isso é lógico.

Você não pode como profissional vender coisas completamente diferentes. A construção da sua marca precisa estar em sintonia com essa lei. Ou você é uma coisa ou outra. Não tente ser tudo. Escolha algo que você domina muito bem e concentre-se nesse ponto. Escolha um aspecto da sua imagem de marca e firme posição por ali. Escolha um benefício diferente dos outros e concentre-se nele com todas as suas forças. O que você não pode é querer que as pessoas à sua volta acreditem que você é muito bom em tudo.

Lembre-se que você precisa construir um monopólio temporário sobre uma característica única da sua marca que só você tenha. Reflita sobre o conjunto da sua marca englobando conhecimentos, capacidades, virtudes, domínio de funções, habilidades, DNA de marca percebido pela audiência, imagem e veja no que pode ser construída a sua diferença. Da forma mais simples possível. Fácil de ser lembrada e reconhecida.

É melhor vender uma diferença para cem pessoas do que dez diferenças para cem pessoas. O cérebro da audiência não resiste a tanta informação. Infelizmente ainda não funcionamos em banda larga, e somos bombardeados por milhares de outros impactos de marca desde a hora em que acordamos até a hora de dormir. Ninguém vai conseguir lembrar que você é isso, isso, isso, isso, isso e mais isso. O que você é mesmo? Desculpa, mas esqueci do seu nome de novo?

Lembre-se que você precisa representar alguma coisa na mente da sua audiência. O quê? Só você pode dizer. Mas não se esqueça desta lei. Se você deixar as coisas contraditórias nos seus benefícios de marca e confusas com a sua imagem é melhor você ter um preço bem baratinho.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 01. O VALOR ESTÁ NA DIFERENÇA. OS IGUAIS NÃO TÊM VALOR.

Em estratégia de marcas corporativas tudo que fazemos vinte e quatro horas por dia é com um único objetivo: diferenciar a marca acrescentando-lhe algo de único que possa ter valor no mercado. Essa é uma lei vital para marcas corporativas e para marcas pessoais.

No mercado corporativo (mundo das marcas de produtos e serviços) isso não é nada fácil, mas não chega a se constituir numa barreira intransponível. Na verdade, esse é o grande valor do marketing: criar sempre uma diferença para vender mais produtos e serviços que talvez sem o apelo do marketing jamais comprássemos.

Se refletirmos sobre nossas necessidades essenciais como ser humano, vamos ficar perplexos com a enormidade de itens “indispensáveis” que fazem parte da nossa vida e que muitas vezes não acrescentam absolutamente nada de novo ou são futilidades totalmente dispensáveis.

No marketing corporativo, sempre é possível olhar a marca por um novo ângulo e criar um novo apelo para encaixá-la numa nova onda, acrescentar um componente e dar novo impulso às vendas, alterar a embalagem e construir uma nova percepção na gôndola, valorizar um benefício funcional, dar novo uso, enfim. É possível e bastante corriqueiro esse movimento no processo de gerenciamento de uma marca corporativa. No mundo do personal branding não.

Vivemos numa sociedade que possui extrema necessidade de buscar o novo, o diferente, mas paradoxalmente, as pessoas continuam querendo ser iguais as outras em tribos de afinidades.

Se você prestar atenção aos grupos da geração Y vai perceber isso com maior clareza: dezenas de diferentes tribos que convivem dentro do mesmo rótulo genérico de jovens. Vai perceber que são tribos totalmente diferentes umas das outras, mas com integrantes absolutamente iguais. Os mesmos maneirismos, o mesmo gestual, vestidos da mesma forma, com marcas de roupas iguais, com o mesmo corte de cabelo, com a mesma linguagem, escutando as mesmas músicas, freqüentando os mesmos lugares.

Ou seja, vivemos o paradoxo da busca desesperada por ser diferente (buscar uma tribo diferente em que possamos nos encaixar) e quando conseguimos, passamos a integrar um grupo de iguais. Abdicamos da diferença individual pela afirmação da diferença coletiva num grupo desses.

Não se limite aos jovens, percorra outras idades e vai constatar a mesma coisa. Percorra as categorias profissionais e o resultado vai ser igual. Médicos são uma casta diferente desde os bancos da faculdade. Passou no vestibular de medicina e o grupo começa a ficar coeso neste aspecto mesmo que pertençam a diferentes idades e a diferentes classes sociais. Fazem questão dessa afirmação no grupo, distanciam-se dos demais cursos e passam a representar o conceito do grupo que se reafirma a cada nova geração.

Pense agora nos arquitetos, nos publicitários, nos jornalistas para ficar só em alguns exemplos. O problema é que esses grupos profissionais vão manter-se coerentes a esse estereótipo e contraditoriamente vão lutar e morrer para estabelecer alguma diferença pessoal e conquistar um lugar ao sol no mercado. O problema da diferença de valor nas marcas pessoais está aí. Com todos os profissionais iguais no mercado (nós como consumidores) não conseguimos separar ninguém e passamos a igualar, buscando outras formas de julgamento de valor. Médico passa a ser igual a qualquer médico. Jornalista tem cara de jornalista, arquiteto tem cara e jeito de arquiteto (até na caligrafia). E quem eu escolho? Como eu escolho se tecnicamente não consigo julgar?

Esse movimento tem de ser um movimento de individuação do qual falava Jung. Tem de ser um movimento para dentro, de introspecção em busca da sua individualidade, das suas diferenças pessoais que o tornam único como indivíduo, como profissional e como marca. Em resumo: você precisa ser diferente dos demais do seu segmento e construir a percepção dessa diferença. Esse é um ponto vital para a construção da sua marca pessoal.

Construa a sua diferença de valor de marca apostando no conceito da distinguibilidade (características únicas da sua marca) e construa uma posição em que o mercado veja o grupo ao qual você pertence e consiga dentro dele diferenciar você. O valor como profissional vai estar justamente aí. A reflexão que você deve levar à sua audiência é: existem arquitetos e existe você. Existem advogados e existe você. Existem publicitários e existe você. Existe um segmento e existe você.

Essa é a lei número um em personal branding: o valor está na diferença. É o primeiro degrau na construção de uma marca corporativa e passa a ser vida ou morte para a sua marca pessoal. A não ser que você queira ser comprado no mercado profissional como genérico. Se for o caso, então tudo bem, junte-se a manada e seja feliz.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

PARE DE SER TÃO NORMAL

Você pode não acreditar, mas a normalidade não levará você a lugar algum. Num mundo cada vez mais dominado pela igualdade e pela medianidade, o valor está em não seguir o rebanho. O valor está em não seguir as regras. Em não se conformar com o estabelecido. Em contrariar a normalidade.

Pode parecer estranho dependendo da ótica que você olhar. Mas reflita bem e me diga se alguém construiu alguma coisa valiosa nesse planeta conformando-se com a normalidade. Volte uns séculos e constate isso. Pense nas artes. Pense na música. Pense nos negócios. Não se limite às invenções, mas pense comigo nas grandes transformações, nas grandes idéias, nas mudanças significativas, nos projetos brilhantes.

Se você refletir sobre cada uma dessas coisas você vai constatar que um não conformista foi lá, rasgou as regras e fez diferente.

Na verdade, sou radical nisso: penso que a normalidade empobrece e não constrói nada. Porque a normalidade aparentemente te acalma, te deixa mais seguro, mas na verdade ela te equaliza, te suga energia, te puxa para baixo, te deixa igual. Ou seja, sem nenhum valor profissional.

Relembre quando você entrou pela primeira vez na empresa (se você for contratado) e pense sobre todas aquelas coisas que você constatou e de quanta vontade você teve de fazer alguma coisa de forma diferente, de quebrar algumas regras e construir algo diferente. E constate que hoje, você talvez não veja nem sinta mais nada disso.

Lembre de quando você montou esse negócio (se for o empreendedor) com aquela enorme vontade e uma clareza absoluta - que talvez, você não tenha mais. Lembra de quando você se filiou àquela entidade e os projetos que lhe passavam pela cabeça que, talvez não passem mais.

Sabe por quê? Porque você foi equalizado para a normalidade do ambiente ou do setor. Você começou a vibrar na mesma onda que a maioria. Você seguiu as regras da casa e virou móveis e utensílios. E, talvez você não faça mais a menor diferença na empresa nem no mercado. Sabe por quê? Porque você foi contratado justamente pela diferença que fazia. Você foi contratado justamente para desequilibrar a normalidade da empresa trazendo coisas novas, novos ângulos de visão, novas idéias. E se você se equalizou e passou a vibrar como a maioria não desequilibra mais nada, não confronta mais nada e não serve mais. Se não aconteceu ainda, fique atento porque pode acontecer. Forte isso? Não sei.

Mas se pensar em negócios e inovação pense em Richard Branson, da Virgin e veja o que ele fez com a venda de música na época. Pense no que havia no mercado e o que ele fez com a aviação e com as ferrovias na Europa. Pense em Steve Jobs da Apple e veja o que ele fez com o mercado e o impacto na sua vida.

Pense em Ray Krock do Mc Donalds e dimensione o antes e depois de uma idéia diferente no ramo da alimentação. Pense em Anita Rodick da Body Shop e o que ela derrubou de regras no mundo da cosmética e a invenção do ativismo empresarial.

Agora pense no seu negócio. Olhe para o lado. Olhe ao redor no escritório. Pense sobre o seu setor. Pense sobre seus produtos e serviços. Pense sobre a sua entidade. Pense sobre sua marca pessoal e sobre sua carreira. Você está enxergando alguma coisa diferente? Você está fazendo alguma diferença? Você faz diferença?

A normalidade só vai te levar a enxergar aquilo que todo mundo enxerga e fazer aquilo que todo mundo faz. Vai te levar para as mesmas idéias e soluções que todo mundo encontra. A normalidade vai te levar para o meio da manada. Para a invisibilidade. Ser normal além de não produzir nada de interessante, vai deixar as tuas tardes de inverno mais pesadas, a pauta mais longa, a agenda tediosa, as segundas-feiras um saco, as conversas menos agradáveis, o mercado e os dias muito mais chatos.

Meu conselho: assuma alguns riscos e pare de ser tão normal. O prêmio pode ser fazer algo prazeroso e quem sabe até, memorável. Mas acredite, nada genial foi feito seguindo as regras do mercado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A IMPREVISIBILIDADE E OS CENÁRIOS

Se pudéssemos vislumbrar e construir cenários futuros com maior nitidez, seríamos imbatíveis em desenvolver estratégias e planos perfeitos para as marcas de nossos clientes. Compreender o impacto de mudanças que ainda não aconteceram e preparar-se para elas é (ou deveria ser) ao mesmo tempo o objetivo, alma e a espinha dorsal de qualquer plano que aspira tornar-se eficaz.

É por isso que planejamos.

Planejamos para reduzir incertezas críticas, descobrir e construir oportunidades, se precaver contra ameaças, enfim, para estarmos preparados para fatos que podem alavancar o negócio e para aqueles que podem decretar sua morte. Se não fosse por isso, não precisaríamos planejar. Era colocar o negócio no piloto automático e seguir e frente em velocidade de cruzeiro. É justamente por isso que planejamos. Para errar menos, para não virarmos reféns dos fatos. E é aí que entra a importância da construção de cenários.

Mas por que os cenários são tão importantes?

Estabelecer essa visão lá na frente significa determinar o território onde a estratégia de marca levará o negócio. Não tê-lo desenhado por não tê-lo compreendido corresponde a marchar para um ponto desconhecido sem ter a mínima noção do que vamos encontrar pela frente. E, a melhor estratégia do mundo não nos salvará se não tivermos clareza de para onde estamos indo, ou do que iremos encontrar pela frente num futuro próximo.

A construção de cenários deve ser o exercício de antever fatos e mudanças que poderão afetar o negócio no futuro e preparar-se para cada um deles. Significa compreender tendências, examinar elementos pré-determinados, conexões entre setores diferentes, mapear e ligar pontos às vezes desconexos na periferia e formular hipóteses.

O impacto da imprevisibilidade.

Mas para se ter uma idéia mais clara do impacto da previsibilidade é preciso que se reflita sobre alguns contextos atuais e se imagine o que poderia ter acontecido, se esses fatos pudessem ter sido previstos.

Imaginem se pudéssemos ter previsto há quatro ou cinco anos atrás em nossos planos para clientes de energia elétrica, de fontes alternativas ou para aqueles onde o insumo energia é vital, que o barril de petróleo ia sair de US$ 60,00 e bater a casa dos U$$ 120,00 no mercado internacional.

Ou se pudéssemos ter preparado cenários para nossos clientes exportadores onde a cotação do dólar cairia de R$ 3.00 para R$ 1.62 em 2008. Pensem no que poderíamos ter alterado no negócio. Pensem no que poderia ter sido feito e não foi na preparação para conviver com essa realidade em 2008.

Agora imaginem se tivéssemos construído um dos nossos cenários de dez anos atrás contando que o candidato de esquerda Lula iria se eleger e construir uma política econômica ortodoxa. E que iria se reeleger. E, mais: e que no meio do segundo ano de mandato, o Brasil teria condições de quitar sua dívida externa e que receberia o “investment grade” no ranking de risco internacional da Standard & Poors.

A imprevisibilidade e a aviação mundial

Agora imaginem se alguma das grandes empresas de aviação do mundo tivesse conseguido se preparar para o cenário que temos hoje baseado em três fatos: que a cotação do barril de petróleo chegaria a US$ 120,00, que Hugo Chaves tomaria o poder na Venezuela e que nacionalizaria a Petróleos da Venezuela SA (PDVSA) (e depois tudo o mais) e tivesse considerado ainda a possibilidade do 11 de setembro nos Estados Unidos que afetou completamente o turismo mundial.

São três fatos em três campos distintos (econômico, político e religioso) que aconteceram numa década e meia e que combinados afetaram de forma dramática a aviação de todo o mundo. Era um cenário totalmente negro para a aviação mundial. Poderia ter sido considerado. Mas ninguém considerou e, por isso, ninguém estava pronto para ele. Os três fatos somados alteraram de forma dramática todo o cenário da aviação, mas ninguém estava preparado. Talvez porque em boa parte desses planos essas companhias estavam com a visão concentrada em analisar o próprio segmento e acabaram míopes quanto à realidade no entorno.

Telescópios e microscópios na busca.

O terreno movediço que cerca incertezas críticas, fatores de risco, tendências, ondas e elementos pré-determinados em alguns momentos tem a ver com buscas através de telescópios e em outras com microscópios. Mega tendências e micro-tendências. Construir visões ligando pontos distantes de setores diversos (às vezes desconexos) e fatos mínimos que estão à beira da porta no micro-universo do negócio.

A dificuldade na construção dos cenários

Mas prever mudanças e construir um contexto onde elas passem a fazer sentido não é uma tarefa das mais fáceis. Isso diz respeito a uma série de barreiras internas que vão do desapego da própria ótica (muito difícil para a maioria de nós) à adoção da ótica de outros segmentos e públicos (mais difícil ainda). E, mais, formular hipóteses sobre incertezas e aspectos intangíveis (que geralmente são abominados por executivos que vivem do apego às tabelas, números, fórmulas e algorismos).

Sem sombra de dúvida alguma, cenários são a parte mais complexa e mais difícil num plano. São a parte mais longa e a que consome mais tempo. Mas também é a que garante a base segura para um plano eficaz. E por isso, deveria consumir a maior atenção e energia no processo.

Mas não é isso que geralmente acontece nos planos construídos dentro de grandes empresas. A maioria ainda só considera o previsível (às vezes apenas o óbvio), quando não se apega a visão de muito curto prazo da empresa em matrizes SWOT feitas com dados da própria diretoria. Ou seja, o que equivale a tentar compreender a realidade a partir do seu próprio umbigo.

Casa de espelhos.

Quem já não assistiu a essa cena: diretores e gestores de grandes empresas (assistidos por consultores ou não) fechados um dia inteiro, na confortável sala de reuniões da diretoria, construindo sua matriz SWOT baseados apenas nas suas próprias impressões? Quantas vezes não assistimos isso?

Eu chamo isso de planejar em casa de espelhos. Uma casa que não possui janelas, só espelhos. Uma tentativa de compreensão da realidade onde o ponto de partida já nasce equivocado, porque nasce parcial. Porque nasce baseado somente na visão interna, na maioria das vezes totalmente contaminada pela perspectiva da diretoria, dos donos ou dos acionistas. Nasce com perguntas feitas na medida para respostas que já existem na cabeça das pessoas. Nasce para ser reflexo do próprio ego da diretoria. E a isso, não existe planejamento que resista.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O CULTO ÀS MARCAS

O Culto às Marcas - Quando os clientes se tornam verdadeiros adeptos - Douglas Atkin - Editora Cultrix.
Esse é o título de um livro que acabei de ler e que recomendo. É um daqueles livros que merecem ser lidos, quando se gosta muito e trabalha com marcas. Tem uma abordagem diferente baseada sobre pesquisas numa área paralela (Cultos e Igrejas) mas que trata da mesma "liga" que une fiéis aos cultos e fiéis consumidores de marcas veneradas.

Simbolismo.

Reproduzo em pequeno trecho que acredito ser marcante sobre a discussão dessa tema. "As marcas são símbolos. Vivemos num mundo dominado pelos ícones comerciais e pelos esforços de marketing totalemente integrados, onde os produtos são consumidos menos pelo que são (materialmente) e mais pelo que representam (em termos espirituais ou ao menos sociais). Operamos numa economia simbólica - em que se podem transformar em recepientes de significado meros produtos cujos benefícios materiais sejam desprovidos de qualquer significado.

O que são símbolos e por que são tão importantes? Os símbolos literalmente tornam o significado possível, permitindo que uma dada visão de mundo adquira vida em qualquer e em todas as comunidades. Eles são a própria substância da cultura, quer sejam escritos, verbais, auditivos ou pictóricos. Constituem a mídia diversificada pela qual os seres humanos ativa e externamente se comunicam, celebram e protegem suas crenças e valores.

As comunidades criam significados mediante a expressão simbólica pública: elas cantam, dançam, queimam, comem, vestem, tatuam no rosto e raspam a cabeça. (....) O símbolo é ao mesmo tempo um meio de comunicação e um terreno comum de entendimento. Toda a comunicação, seja mediante a linguagem ou de outros meios, faz uso dos símbolos. A sociedade mal poderia existir sem eles."

O trecho acima dá uma idéia do terreno explorado no livro no campo simbólico. Ele explora a idéia de que cultos, marcas, empresas, corporações militares, irmandades, partidos políticos, todos precisam oferecer um sentido. Uma estrutura ideológica, uma crença que unifica e que mantém vivo o sistema.

Garanto a vocês que o paralelo proposto faz muito sentido e que trata de uma questão fundamental entre marcas e cultos: o sentido de pertencer - que buscamos o tempo todo, independente da classe social, da escolaridade ou do apego ou não às marcas. Espero que vocês também gostem.

terça-feira, 27 de maio de 2008

BUSCAS COLETIVAS E O MERCADO PUBLICITÁRIO

Estive ontem à noite no Auditório da Ulbra em Porto Alegre para uma palestra sobre Personal Branding dirigida aos executivos e atendimentos de veículos de comunicação numa organização do GAV - Grupo de Atendimento de Veículos do Rio Grande do Sul, liderada pelo Paulo Trindade, da ATIVA.

Além de reencontrar grandes amigos tive uma experiência muito calorosa por parte do público. Uma energia boa da platéia que me fez muito bem. Espero que eles tenham tido também a mesma impressão e que o que discutimos lá, tenha impacto positivo na carreira e no sucesso de cada um.

Me fez melhor ainda a oportunidade de ser o primeiro palestrante de um projeto de capacitação que o GAV pretende implantar na sua nova gestão. E isso me leva a refletir sobre dois pontos importantes que eu julgo pertinentes nessas nossas discussões sobre entidades profissionais do meio publicitário.

O primeiro aspecto é a diferença que faz quando se tem um grupo abnegado e ativo de pessoas trabalhando em torno de um ideal. É incrível ver a diferença que faz uma meia-dúzia de pessoas se mobilizando por alguma coisa - que é para todos daquele segmento - quando poderiam estar em casa descansando ou buscando seus próprios meios e mecanismos de sobrevivência na selva empresarial do nosso mercado. Esse ideal coletivo tem uma força incrível na mobilização das pessoas nas entidades.

Quando não tem, acaba sendo reunião de amigos e conhecidos e o projeto desmorona. Já pude assistir várias tentativas de organizações que nascem e que aos poucos vão morrendo à mingua por falta de objetivos. Acontece com entidades, acontece com a gente no mundo profissional.

O segundo aspecto diz respeito a necessidade que temos hoje, mais do que nunca de formar grupos e buscar saídas coletivas para nossas angústias profissionais. Gosto muito dos autores Kjell A Nordström e Jonas Ridderstrale que escreveram o livro Funk Business e que dizem o seguinte: "Nada minimamente inteligente no mundo foi feito de forma solitária" e que cada vez mais precisaremos de saídas coletivas. E, quem sabe, estejamos aos pouquinhos destruindo aquela idéia de que os "caranguejos gaúchos não saem sozinhos do balde porque uns puxam os outros para baixo".

O exemplo eu pude constatar na segunda-feira passada com a mobilização do GAV. Mas acompanhei o processo de nascimento da AGADI - Associação das Agências Digitais. Acompanho de perto o trabalho do Grupo de Mídia. Acompanho a batalha da ApDesign. Da AMPRO em regularizar o seu mercado. O esforço do Grupo de Planejamento, a movimentação rápida do CJC e constato todos os dias na ARP - Associação Riograndense de Propaganda e na ADVB - entidades das quais faço parte.

A despeito de todas as nossas brigas, das intermináveis discussões até nos finais de semana e de nossas reuniões de segunda sem almoço, me sinto feliz de tirar o pijama de manhã por saber que estamos fazendo alguma coisa pelo mercado publicitário e, que certamente vai me proporcionar alguma coisa para contar para os meus na velhice. Não tenho do que reclamar.

terça-feira, 20 de maio de 2008

RH E MARKETING

Concluímos aqui na Key Jump uma grande pesquisa sobre varejo em todo o Estado. Muitos grupos de foco, milhares de entrevistas em centenas de cidades com dezenas de métricas e ferramentas. Muitas horas de análise desses relatórios e uma dezena de pessoas envolvidas aqui e em São Paulo e uma das conclusões: o atendimento continua sendo chave para amarmos ou odiarmos marcas. O diferenciador vital numa repetição de compras.

Eu sei. Vocês vão dizer que isso é o óbvio e que não precisava de pesquisa para concluir isso. Eu também acho. Sou o mais apaixonado crítico de pesquisas e o mais cético dos seus usuários. Mas a questão aqui é outra.

Vivemos num mundo cheio de tecnologia, de mil teorias sobre tudo (principalmente no marketing e seus modismos) e em boa parte das vezes esquecemos do básico: contato humanos ainda são insuperáveis nas relações. Simples assim. E tudo o que construímos com as marcas são relações. Ponto.

Experimente comprar um simples microondas e percorra três ou quatro lojas de eletro para sentir o que eu estou dizendo. A média é sofrível quando se refere a atender bem. Se pensarmos em encantamento então dá para ter a certeza que andamos nas trevas de todas as teorias do marketing. Simplesmente a imensa maioria no varejo ainda não consegue oferecer o básico do básico em satisfação aos clientes.

O espantoso é confrontar isso com os imensos investimentos em outras áreas quando o básico ainda é sofrível. E garanto a vocês não existe marca que resista a um péssimo atendimento.

Gosto da idéia de que marca são esponjas que absorvem tudo. Absorvem belas idéias e aquelas sofríveis que a gente nunca vai saber quem autorizou. Marcas absorvem conteúdo vindo da fala do presidente, do release da assessoria de imprensa, da cara do entregador, da saia justa e do decote da recepcionista, do sofá na recepção, da atitude do vendedor, da voz da telefonista.

Erra feio quem pensa que marca está restrita ao escritório bonito do marketing e seus manuais de marca bem organizados em capa dura.

Marca é um ser vivo. Uma entidade. Uma relação de confiança, de respeito. Marca é a alma da organização. E na essência de tudo é o reflexo das pessoas que fazem a marca todos os dias. E enquanto RH e Marketing estiverem em salas distintas, com falas distintas em congressos separados, não vejo nenhuma chance de mudança.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PERSONAL BRANDING NA AMCHAM

Esse é o tema da minha palestra na AMCHAM no dia 29, terça, às 8 horas. O tema é uma das minhas paixões. E tenho dedicado os meus últimos seis anos a pesquisar e buscar um pouco mais sobre o assunto: gerenciamento de marcas pessoais.

Iniciei com o tema no início de 2002 quando criei a Celebrity - uma empresa dedicada integralmente ao personal branding. Minha tese era de que marcas pessoais com alguma visibilidade poderiam ser diagnosticadas, planejadas e gerenciadas como marcas do mundo corporativo. Seis anos depois, muitos artigos escritos, inúmeras palestras e muitos trabalhos realizados para celebridades nacionais, líderes e para profissionais referência em seus segmentos concluo que personal branding ainda será o tema quente para os líderes de nosso tempo,muito em breve. Vejamos porque.

Acredito que os mecanismos que fazem marcas pessoais mais valiosas não são muito diferentes dos que geram valor para marcas corporativas. Existem diferenças? Óbvio que sim. Não somos uma caixa de sabão em pó na gôndola do supermercado. Muito menos conseguimos nos vender através de uma campanha de propaganda. Mas as diferenças param por ai.

Defendo a idéia de que a semelhança das marcas do mundo corporativo temos uma audiência que nos comunicamos o tempo todo. Nossos colegas, nossos amigos, nossos parentes, nossos empregados, nossos empregadores, nossos fornecedores. Enfim, gente que nos conhece ou que tem contato conosco de alguma forma.

E, somos uma espécie de instrumento multimídia gerando impactos o tempo todo. Afinal, mandamos mensagens, trocamos telefonemas, nos apresentamos visualmente, falamos, interagimos o tempo todo com a nossa audiência. E, conseqüentemente, causamos impressões o tempo todo. E essas impressões, em boa parte das vezes, alteram nossa perspectiva (na visão dos outros) e nosso valor no mercado (na maioria das vezes também determinado pelos outros).

Assim, de forma planejada ou não, criamos ativos e passivos de marca que nos acompanham. O personal branding trabalha justamente aí, nesse ponto. Diagnosticamos a percepção do mercado com relação à pessoa; confrontamos com seus objetivos profissionais; avaliamos o gap entre imagem percebida e imagem desejada; definimos estratégias de curto, médio e longo prazo e passamos a desenhar mecanismos, formas e ferramentas para corrigir distorções entre as duas imagens. Essa é a essência de um plano feito de forma profissional.

Na palestra proponho uma reflexão sobre a importãncia do gerenciamento de nossas marcas pessoais e os impactos sobre o nosso futuro profissional. Defendo algumas reflexões importantes a serem feitas. Mostro alguns mecanismos e regras a serem observadas nesse processo.

Espero que você goste e que a reflexão de terça, contribua para o seu sucesso pessoal.
Espero você lá.

O TAMANHO DA SUA RESPONSABILIDADE COM A ARP NO DIA 28.

A maioria de vocês sabe do meu envolvimento com a ARP - Associação Riograndense de Propaganda. Participo dela há duas gestões. Na primeira como Diretor de Planejamento (de 2004 a 2005) e na segunda como Vice-Presidente (de 2006 a 2007).

Nestas eleições, para 2008 a 2009 resolvi que deveria apoiar o candidato Celso Chittolina como Vice-Presidente novamente, acompanhado da Lúcia Bastos (RBS) e do Mauro Dorfmann (Dez Propaganda). Não posso deixar de dizer que sou completamente comprometido com a continuidade do que está sendo feito por vários motivos, mas entre eles, este: fiz o planejamento estratégico da ARP em 2004, quando o Airton Rocha assumiu como presidente.

Encontrei um cenário que era desolador na entidade. Apesar dos seus quase 49 anos na época, uma entidade que tinha um pouco mais de 100 sócios. Não tinha nenhum projeto concreto sendo tocado a não ser os dois certames: Salão da Propaganda e Salão Promocional. Boa parte do mercado ressentida pelo pouco que a ARP oferecia e representava para o mercado publicitário. O jantar, ponto máximo do Salão da Propaganda era motivo de inúmeras reclamações. Os Salões tinham regras não muito claras e todo ano muito questionamento sobre as premiações. A pergunta corrente era: para que servia a ARP?

No primeiro planejamento estabelecemos três grandes diretrizes: deveríamos resgatar a auto-estima da entidade; deveríamos colocá-la de novo no centro do mercado como interface entre os clientes, as agências e seus profissionais, os fornecedores e os veículos e, por último, deveríamos aproximá-la das universidades como forma de apostar na qualificação dos futuros profissionais. Estabelecemos mais uma série de metas, entre elas, aumentar o número de sócios e dar sentido ao fato de ser sócio.

A estratégia foi utilizar o "telhado de vidro" (Salões da Propaganda) como alavanca para a consecução das três diretrizes. A proposta foi concebida como a 1ª Semana da Propaganda ARP 2005. Uma semana de debates, palestras, encontros, exposição, work-shops num lugar legal, bonito, diferente, surpreendente, aderente ao conceito de uma ARP inovadora, comprometida com a idéia de resgate da auto-estima das agências e dos profissionais. A idéia era dar um novo sentido aos Salões. Sair de uma festa fechada e questionada para um lugar aberto ao maior público possível. Para que os clientes e consumidores (objetivo maior do nosso trabalho) pudessem ver, reconhecer o trabalho, discutir junto e participar. A meta maior dessa proposta: mostrar ao mercado que nós publicitários eramos capazes de realizar um evento grandioso e que essa poderia ser a alavanca para todo o resgate do prestígio da ARP.

A idéia não parecia arriscada. Era extremamente arriscada. Não tínhamos nada: nem prestígio, nem respeito, nem dinheiro para esse investimento. No início, o que tínhamos era apenas a idéia e um power-point feito por mim, com slides de uma feira de São Paulo. Mas o Airton aceitou a estratégia e comprou a idéia. A diretoria toda comprou a idéia e se empolgou com o desafio: iríamos fazer.

Queríamos fazer no aeroporto antigo pela simbologia, mas conseguimos o cais do porto que também trazia uma metáfora interessante. A diretoria se desdobrou em trabalho para fazer isso. Muitos abriram mão de seus negócios, de seus finais de semana, de inúmeros almoços e se atiraram de cabeça no projeto. Cada um a sua maneira, mas um grupo pequeno muito unido que abraçou a idéia e ficou desafiado de levá-la até o fim.

O projeto promocional foi desenvolvido pela Simone da Marketing Business que o fez subir vários níveis em qualidade e o arquitetônico pela dupla de arquitetos Joel e Daniela, da Liquens - que o deixaram maravilhoso. Passamos de agência em agência apresentando esse planejamento. Em algumas mais de uma vez. Passamos em todos os veículos de comunicação. Levamos e apresentamos o projeto em várias universidades. Apresentamos ao conselho. Apresentamos para os ex-presidentes, apresentamos para muitos clientes. Apresentamos para associações como AGERT, ApDesign, AMPRO, AGADI, ANJ. Passamos meses e meses apresentando e defendendo. Mas não foi fácil.

Várias agências boicotaram os salões e nos tiraram uma receita que era imprescindível. O Airton e a diretoria não desanimaram e continuaram. Conseguimos fazer. Com todos os erros, defeitos técnicos e algumas precariedades, conseguimos fazer. Ficou surpreendente e funcionou. Tivemos um Congresso da AGERT numa aproximação inédita com a ARP. Tivemos uma palestra fantástica do Zé Pedro Goulart da Zepelin, tivemos grandes palestras como a do Luciano Déos do GAD, tivemos uma palestra imperdível da manager nacional da marca Absolut. Tivemos mostras. Tivemos laboratórios.

Tivemos a sorte também de uma semana maravilhosa de sol forte e um pôr-do-sol lindo no cais do porto. Muitas pessoas se emocionaram no fim de tarde, escutando boa música e relaxando nos lounges na beira do cais. O Vice-Governador foi ao jantar. O Prefeito foi ao jantar. O Presidente da Assembléia foi a jantar. Muitos grandes clientes foram ao jantar. Muita gente curiosa das mais diversas áreas foi visitar. Muita gente achou lindo. A maioria acreditou que era o inicio do resgate e passou a apoiar. Ali começou a transformação na ARP.

Mérito do Airton que era o presidente e que comprou o desafio, mas mérito também de quem trabalhou muito por isso e não obteve o registro na época como: a Gagá Celente da QuatroCom, o Joel e a Daniela da Liquens, o Geraldo Barboza da QG, a Simone da Marketing Busines, a Heloisa Cotta que era da Martins (hoje Master), O Gerson Lattuada (Martins), a Sílvia Binotto da BinoCom, O Juarez da Brava Filmes (que segurou um orçamento terrível e fez mágica para conseguirmos cumprir tudo).

Fizemos o segundo ano também no cais do porto. Ninguém acreditava que podia melhorar. Melhorou muito. Ar-condicionado impecável. Novo formato, mais expositores, mais patrocinadores, mais gente participando, adesão total. A ARP triplicou o número de sócios nessa época. Ganhou novos regulamentos discutidos com todos os grupos organizados do mercado. Fizemos noites e noites de reuniões com entidades profissionais, com atendimentos, com o grupo de mídia, com produtores gráficos, com produtoras de áudio, com produtoras de vídeo.

Os Salões ganharam novas regras e adesão total da agências. Mas também resgatamos os anuários. Havia somente o número. Nos empenhamos e conseguimos patrocinadores que acreditaram na ARP e nos deram o seu apoio. Foram viabilizados e resgatados. Uma dívida da ARP que ressentia os profissionais foi liquidada.

No final da gestão não havia candidatos à presidente. Muitos diziam que tínhamos criado um patamar tão alto que ia ser difícil superar e que ninguém queria arriscar. O Jopa aceitou (diga-se de passagem que quase à força numa pressão minha e do Airton sobre ele numa mesa do Café do Porto). Mas ele teve coragem e aceitou o desafio. E quiz fazer mais.

A resposta do mercado veio logo na posse no Sheraton super lotado e com uma representatividade política de mercado que a ARP não via há décadas. O Chittolina, o Mauro e eu ficamos de vice. Tive o prazer de fazer o planejamento de novo e o desafio era fazer melhor, era buscar um salto. Trouxemos mais gente.

Nos matamos em noites e noites de discussão e resolvemos mudar várias coisas, entre elas o local. Mudamos o conceito também. Acabamos no antigo parque industrial da Renner Têxtil, no DC Shopping. A Doda da Inventa Evento se juntou a nós e deu uma enorme contribuição em qualidade na organização promocional e na coordenação. Ninguém acreditava que era possível. Fizemos a mais linda Semana da Propaganda até então e o jantar mais impecável da história da propaganda gaúcha. O Joel e a Daniela se superaram de novo na arquitetura. O ambiente ganhou o olhar crítico do Chitto e com ele, obras de arte, cenários especiais, lounges, efeitos especiais e uma nova dinâmica. Ninguém acreditava mas foi criado um novo patamar. Autoridades participaram, clientes participaram, universidades participaram, veículos participaram, fornecedores participaram. Fizemos.

Chegamos ao segundo e último ano de mandato da gestão do Jopa. Novo desafio. Novo planejamento. Com brigas intermináveis e reuniões sem fim chegamos a um formato inédito: uma Semana ARP da Comunicação 2007 em multi-lugares, no Bairro Moinhos de Vento, com a maior participação popular da história da ARP. Envolvemos a Prefeitura em sete secretarias, as associações de moradores, os restaurantes, o shopping, o clube, os bares, os cafés, os restaurantes. Fizemos lounges urbanos, intervenções arquitetônicas. Embandeiramos o bairro com a marca da ARP.

Criamos também o prêmio revelação que mobilizou as agências menores no mercado, como forma de homenagear e estimular novos empreendedores.Fizemos o Fórum do Anunciante e conseguimos uma aproximação muito estreita com a ABA.

Não preciso recordar todos detalhes para vocês, mas com certeza novo patamar foi superado nesta gestão do Jopa. A ARP contratou uma agência pela primeira vez (DCS) e apostou naquilo que acreditamos: comunicação de boa qualidade e profissionalismo como exemplo a ser dado pela entidade. Os veículos apoiaram e se fez comunicação de verdade. Os eventos bateram recordes de inscrição. As palestras todas lotadas (e foram dezenas em vários lugares). Os patrocinadores apoiaram como nunca e o evento foi impecável e ganhou muitas matérias em vários jornais.

A pergunta agora é: dá para fazer melhor? Com esse resgate, dá para avançar em outras áreas que temos como meta? Dá para construir em dois anos uma nova sede que seja ponto de capacitação e referência para o mercado publicitário? Dá para dobrar de novo o numero de sócios? Dá para oferecer mais ao mercado? Não sei.

A dúvida mobilizadora é a mesma de quatro anos atrás. E isso gera uma coisa boa de novo. Um novo desafio.

Enfim. Esse post gigante com esse relato longo é pra dizer que não tenho como não estar comprometido com a proposta do Chittolina e desta chapa que se candidata a mais uma gestão. Faço parte em corpo e propósito com este caminho trilhado agora que vem sendo construído desde 2004. Estou nele de corpo e alma.

Tive a responsabilidade e a honra de planejar cada um desses 4 anos. Acredito nele. Acredito nas pessoas que se uniram em torno dele. E, embora saiba que ainda estamos muito distante do que queríamos em 2004, não tenho dúvidas que temos hoje uma ARP muito melhor do que tínhamos. Com respeito, com idéias, com trabalho, com profissionalismo e com propósito.

No dia 28 próximo haverá eleições para a ARP. Existem duas chapas com visões diferentes para o mercado escolher. Propósitos contrários, visões completamente diferentes. A chapa 1 do Chittolina, da Lúcia, do Mauro e minha que quer continuar esse caminho. A chapa dois defendo o contrário. Esse é o tamanho da responsabilidade do mercado publicitário com a ARP no dia 28.

Essa decisão não pode ser de uns poucos, mas de todo o mercado. E eu torço que se possa comparar as propostas e que o mercado escolha aquela que melhor representa os desejos do mercado publicitário. Até lá.

VALE A PENA LER.

Tem dois livros que não são novos, mas que fazem parte dos meus prediletos quando o assunto é novas visões sobre os fatos e a sociedade.Os livros são: "Ponto de Desequilíbrio" e "Blink". Os dois do mesmo autor: Malcolm Gladwell. Acredito que em postes anteriores eu já tenha comentado os dois, mas toco de novo no assunto porque encontrei uma preciosidade: um vídeo de uma de suas palestras na internet e coloco o link para vocês darem uma olhada (link abaixo). Os livros são imperdíveis e a seqüência de leitura deve ser primeiro o "Ponto de Desequilíbrio" e depois o "Blink". Os dois valem cada página. Vejam o link http://www.ted.com/talks/view/id/20

segunda-feira, 14 de abril de 2008

INOVAÇÃO E MONOPÓLIO DO VALOR

Inovação e Monopólio do Valor. Este é o título da palestra que realizarei no Meeting do Marketing na Federasul na próxima quinta-feira, dia 17, ao meio-dia.

O tema para mim é instigante e desafiador porque sou um apaixonado por estratégia e branding. E inovação está exatamente no centro da discussão sobre como gerar valor para negócios e marcas numa sociedade cada vez mais comoditizada. Inovação é com certeza aquele tópico capaz de desequilibrar completamente a trajetória de um negócio e de uma marca. E, por isso é uma das maiores angústias de executivos e profissionais de marketing.

Defendo a idéia que quando buscamos inovação o maior desafio é desprender-se do seu próprio negócio. Sair da lateralidade com a concorrência e assumir uma posição neutra que chamo de “vôo de helicóptero”. Não é tarefa fácil, eu confesso. É matéria para longas discussões e é preciso adentrar por outros caminhos que não dizem respeito somente ao marketing.

Meu desafio dia 17 na Federasul será conseguir abordar este tema complexo em 45 minutos - que é o tempo que eu tenho – quando o assunto mereceria algumas horas. Será difícil qualquer tentativa de encerrar o assunto. E minha proposta é justamente o contrário: colocar na pauta do dia este tema, abordando alguns pontos-chave para se começar a pensar em inovação no marketing e no branding.

10 RAZÕES PARA SER SÓCIO DA ARP

Escrevi esta lista de razões em junho de 2005. Ou seja, há quase três anos atrás, no segundo ano do primeiro mandato da gestão do Airton Rocha, na qual eu participava como Diretor de Planejamento, numa enorme batalha junto ao mercado para reposicionarmos a ARP.

A lista foi escrita em resposta a uma amiga publicitária que perguntava por que ela deveria se associar a ARP. Ela complementava a pergunta com outra: "vai ter algum convênio ou descontos para sócios no mercado?"

Três anos depois (e nenhum convênio para descontos em lojas!), quando se encerra a gestão do Jopa e iniciamos campanha para eleger o Celso Chittolina como presidente, o texto me parece que continua atualizado. E acredito que é uma boa pauta para a gente discutir nesse período eleitoral da entidade.

10 Razões para ser um sócio da ARP.
Diretoria de Planejamento Estratégico.
10 de junho de 2005.

Primeira razão: política

Ser publicitário tem sido ser o profissional com a profissão mais invadida nestes últimos tempos. Mérito da não regulamentação e da desunião dos profissionais gerou hoje uma categoria de profissionais sem perspectivas claras para o futuro, com carreiras muito curtas, com exigências extremas por resultados. Além disso, com formação universitária discutível, sem qualquer planejamento de médio e longo prazo e com profissionais muito atingidos pelos efeitos da baixa auto-estima.

Associar-se a ARP significa mobilizar-se em torno da causa do resgate da auto-estima do publicitário e poder, politicamente, interferir nos rumos da profissão de publicitário no Estado através da mobilização e da discussão sobre o assunto.

Isso significa mais respeito ao trabalho de cada um de nós, com a força e a voz de uma entidade que realmente representa o setor no Estado do Rio Grande do Sul.

Segunda razão: interferir.

A segunda razão é poder interferir nos rumos da entidade como sócio ou como diretor. Boa parte do ressentimento e das queixas que são ouvidas no mercado é porque existe carência de quadros na gestão das entidades. Quanto mais gente capaz e com vontade de fazer estiver reunida na entidade, mais capacidade de mobilização e de realização.

Associar-se a ARP significa poder interferir e corrigir aquilo que não concordamos.

Terceira razão: mobilização.

Hoje o mercado do Rio Grande do Sul se ressente da perda de mais 100 milhões de reais de investimentos em comunicação que estavam aqui no Estado e que foram embora. A verdade é que o bolo diminuiu assustadoramente e, fruto de alinhamentos nacionais e internacionais, o mercado ficou muito menor do que era há dez anos atrás.

Associar-se a ARP, significa torná-la respeitável e representativa pelo universo de profissionais envolvidos para mobilizar a opinião pública, autoridades e entidades empresariais em favor de um mercado forte, com mais anunciantes, mais investimentos e mais empregos.

Quarta razão: qualificação

Boa parte dos problemas que as agências enfrentam que hoje são traduzidos através da baixa remuneração pelos serviços prestados, concorrência predatória e taxas aviltantes está na não mobilização do setor pela qualificação de seus profissionais.

O setor, nestes últimos dez anos não fez absolutamente nada coletivo para enfrentar a alta competitividade e para entender os novos desafios desse negócio. Pior, nada fez no segmento para capacitar e qualificar os seus quadros. A ARP é a única entidade no mercado que realmente está preocupada em aproximar as universidades do mercado, mobilizar empresários do setor e propor reflexão e estratégias para qualificar o profissional de comunicação.

A ARP tem promovido seminários e palestras unindo acadêmicos e profissionais com esse espírito.

Associar-se a ARP significa acreditar que através da qualificação resgataremos respeito profissional e remuneração justa para o trabalho que prestamos.

Quinta razão: respeito.

A ARP vem concentrando seus esforços em torno da reorganização dos Salões e das regras dos nossos certames para resgatar o valor dos prêmios concedidos. A visão tem sido: critérios justos, discutidos e auditados para que os certames tornem-se os mais respeitados possíveis. Ou seja, um retrato da alta capacidade criativa e técnica que possuímos. Isso é respeito pelo trabalho coletivo do segmento que resulta em respeito dos clientes pelo trabalho individual de cada profissional premiado.

Associar-se a ARP hoje, significa dar um aval do segmento a seriedade e ao respeito que a entidade vem empregando nos seus projetos.

Sexta razão: acreditar.

Associar-se a ARP hoje significa ajudar a construir uma Semana da Propaganda que cada vez mais reflita a capacidade técnica e criativa que temos quando trabalhamos para nossos clientes. A de 2004 foi a primeira e surpreendeu. Funcionou quase como um desafio de uns poucos contra a maré de pessimismo de muitos. Nós acreditamos que podemos fazer melhor em 2005 e precisamos de gente acreditando que é possível. A Semana da Propaganda precisa tornar-se a grande vitrina do excelente produto criativo feito no Estado. Isso é fazer com que os anunciantes também acreditem cada vez mais que boa propaganda funciona.

Associar-se a ARP significa acreditar nisso e, se possível, estar junto, trabalhando, contribuindo com uma Semana da Propaganda cada vez com mais crédito.

Sétima razão: Resgate.

A ARP, num esforço inédito de comercialização, conseguiu resgatar uma dívida antiga com o mercado gaúcho viabilizando o anuário de 2002, que havia sido deixado pela gestão passada. A diretoria atual assumiu com esse débito e colocou como ponto de honra a impressão e a publicação desse anuário, bem como o de 2003. E a ARP fez mais, vai entregar em julho deste ano, os três anuários: 2002, 2003 e 2004. Assim, fica resgatada a história da propaganda gaúcha e o respeito que a ARP tem pelo trabalho de nossos profissionais.

Associar-se a ARP significa também um aval a idéia de preservarmos a memória da propaganda gaúcha dando continuidade ao esforço de publicação todos os anos dos Anuários da Propaganda.

Oitava razão: Visão.

A ARP tem procurado não só respeitar, mas incentivar o trabalho conjunto com os grupos profissionais organizados em associações profissionais como o Clube de Jovens criativos, o Grupo de Mídia, a Associação de produtores Gráficos, de Atendimentos de Veículos, a recém criada AGADI no meio digital, como também a ApDesign e a AMPRO no segmento promocional.

A ARP acredita que é só com essa visão do todo, do coletivo, que construiremos um mercado mais forte, mais organizado, mais digno e mais respeitado.

Associar-se a ARP significa entender a importância do fortalecimento do coletivo para fortalecer a posição e o respeito profissional individual. Associar-se a ARP é compartilhar dessa mesma idéia e dar um aval a essa nova postura da entidade.

Nona razão: Mercado.

A ARP tem procurado aproximar a entidade e construir projetos e ações junto com o mercado empresarial e principalmente com o trade da comunicação. Desde a posse a diretoria estreitou contatos e realizou projetos conjuntos com a AGERT, que foi parceira na Semana da Propaganda, com a ANJ que será parceira na próxima e com a ABAP na realização do primeiro seminário no interior do Estado.

Acreditamos que o Estado possui uma enorme potencialidade para investir mais em propaganda e que no interior do Estado existem grandes empresas que poderiam tornar-se grandes anunciantes.

O projeto de interiorização da ARP tem levado aos pólos regionais a idéia de que propaganda dá certo e que gera resultados. Os seminários têm mobilizado empresários, veículos, agências, fornecedores e profissionais em torno dessa idéia.
O primeiro foi em Santa Maria. O segundo está marcado para a região Sul do estado.

Associar-se a ARP significa acreditar nessa idéia e ajudar a construir um cenário positivo para o futuro da propaganda no Estado.

Décima razão: Paixão.

Associar-se a ARP significa dizer a si mesmo e ao mercado que cada um de nós continua acreditando no negócio que é construído silenciosamente através do talento de cada um dos profissionais. E que acredita nesse conjunto que faz o Rio Grande do Sul continuar a ser respeitado pelo seu produto criativo em todo o país.

Associar-se a ARP significa ratificar a idéia de que continuamos apaixonados por propaganda e por boa comunicação e que queremos nos unir com todos aqueles que compartilham dessa mesma paixão e que querem mais do mercado.